Cláudia Lopes
De Londrina
Um incêndio consumiu ontem cerca de 50 mil metros cúbicos de cavaco (restos de madeira usados na queima de fornos) que estavam estocados numa área de 1,5 mil metros quadrados ao lado da Serraria Hill Lumber’s, que fica na PR-445, zona sul de Londrina. O fogo começou por volta das 5h30. Após meia-hora, as labaredas atingiram 15 metros de altura, rompendo fios de alta tensão da rede de energia elétrica da Copel e inutilizando três postes próximos ao local. Naquele momento, era praticamente impossível caminhar às margens da rodovia sem proteção por causa do calor intenso.
O 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros não soube informar as causas do incêndio até ontem à tarde. A hipótese mais provável é de que uma bituca de cigarro acesa, jogada por alguém que passava pela rodovia, tenha provocado o fogo já que o foco começou na vegetação às margens da PR-445, segundo o tenente Pedro Wagner Malacrida, do Corpo de Bombeiros.
Ele não descarta, porém, a possibilidade do incêndio ter sido criminoso. ‘‘Temos que considerar todas as hipóteses. Mas quem irá apurar as causas são os peritos’’, afirmou Malacrida. Até as 18 horas de ontem, a perícia não tinha sido iniciada, segundo a secretária geral do instituto, Levita Ferreira da Silva.
O proprietário da Hill Lumber’s, Maurício Crivelari, acredita que o incêndio tenha sido provocado mesmo por uma bituca de cigarro acesa. ‘‘O clima seco e a quantidade de restos de madeira no local colaboraram para que o fogo se alastrasse’’. Crivelari calcula ter tido um prejuízo de cerca de R$ 30 mil já que o preço do metro cúbico de cavaco é R$ 6,50.
No barracão, há madeira e equipamentos. Crivelari garantiu que o estoque de cavaco mantido há mais de um ano no local é regular. ‘‘Como o terreno é meu, posso estocar o que quiser. Mas eu já estava providenciando a retirada do cavaco da área.’’
O rescaldo feito pelo Corpo de Bombeiros demorou até o final da tarde. Por causa do material altamente inflamável, as chamas se alastraram rapidamente. O trabalho dos bombeiros se resumiu em conter o fogo para que não atingisse duas residências vizinhas, além do barracão onde funciona a serraria. ‘‘Isolamos a área e fizemos o resfriamento. Não adiantava combater o fogo pois a água evaporava antes de atingir as chamas’’, contou o tenente Malacrida.
Segundo ele, o incêndio foi um dos maiores registrados nos últimos anos em Londrina e só não foi mais grave porque o vento não estava forte no momento. ‘‘Poderia ter acontecido uma tragédia’’, afirmou. Quatro viaturas e 10 bombeiros usaram 100 mil litros de água, durante todo o trabalho.

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