Lucinéia Parra
De Maringá
Mais um incêndio foi registrado na madrugada de ontem, em Maringá. O fogo começou por volta das 4h30 e destruiu a casa de madeira onde moravam a dona de casa Rosa Borges da Costa, 50 anos, o marido dela, três filhos, uma nora e três netos. Rosa sofreu queimaduras de terceiro grau em boa parte do corpo e está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Maringá (HUM).
O incêndio começou, de acordo com o bicicleteiro José Carlos da Costa, pela sala. Ele é filho de Rosa Borges da Costa e dormia com a mulher e um filho de sete meses em um dos quartos da casa. Outros dois filhos do casal, de quatro e oito anos de idade, dormiam na sala. ‘‘Foi meu filho de quatro anos que acordou primeiro e viu o fogo. Ele começou a gritar e todos nós que estávamos na casa acordamos em seguida’’, disse Costa. Segundo ele, apenas um ventilador estava ligado em uma das tomadas instaladas na sala da casa.
O fogo destruiu todos os móveis. ‘‘Não deu tempo para tentar salvar nada, nem mesmo os documentos porque quando acordei o fogo já estava com mais de um metro de altura’’, contou Costa. Ele explicou que a mãe sofreu as queimaduras pelo corpo porque ficou desesperada e tentou entrar na casa pensando que os netos ainda estivessem no interior da residência. ‘‘Ela tentou retornar para a casa mas o fogo ‘jogou’ ela para fora. Ela sofreu queimaduras em todo corpo’’. Para o Corpo de Bombeiros, o mais provável é que tenha ocorrido um curto-circuito na tomada da sala.
Na semana passada, outro incêndio em residência matou quatro crianças carbonizadas. Ontem de madrugada morreu o avô delas, o aposentado João Abel de Souza, 76, vítima das queimaduras de segundo e terceiro graus que sofreu em mais de 80% do corpo. Souza estava internado na UTI do HUM desde a madrugada de quinta-feira.
De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Gilberto Gavlovski, as causas dos incêndios ocorridos nas últimas semanas em Maringá e região têm características diferentes. ‘‘Não dá para explicar o que está acontecendo, porque de repente vários incêndios estão ocorrendo e cada um tem uma história diferente’’, disse.
O incêndio que deixou quatro crianças carbonizadas ainda é o mais intrigante. ‘‘Está muito difícil descobrir o que aconteceu porque é estranho que a criança de 14 anos não tenha conseguido sair da casa’’, disse Gavlovski.
O delegado Emerson Fortunato, que preside o inquérito deste incêndio, disse que a criança de 14 anos não saiu da casa, porque estava em um quarto ao lado da sala onde começou o fogo, o que impediu a saída dele. Fortunato disse que já ouviu alguns parentes das vítimas e vizinhos da casa incendiada, e que só depois do depoimento de Rita Aparecida de Souza (mãe de três crianças mortas e única sobrevivente), marcado para amanhã, deve ter alguma novidade sobre o caso.Dona de casa pensou que os netos estavam na casa e sofreu queimaduras ao tentar voltar para a moradia em chamas
Fotos Marcos NegriniDESTRUIÇÃONa casa que ficou totalmente destruída dormiam seis adultos e três crianças; ao lado, José Carlos da Costa mostra queimadura superficial que sofreu ao sair da casa no momento do incêndio

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