Fogo destrói barracão na zona oeste
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terça-feira, 11 de março de 1997
Célia Baroni 
Josoé de CarvalhoPerdas e danosEm meio à destruição, a cadela Neguinha perdeu seus filhotesUm incêndio de grandes proporções consumiu cerca de 40 toneladas de algodão da empresa Búfalo Comércio e Beneficiamento de Fibras Têxteis Ltda. O material estava estocado em um barracão de zinco, no parque industrial da Cacique (zona oeste), onde era reciclado para ser revendido. O fogo começou por volta da meia-noite de segunda-feira e o Corpo de Bombeiros precisou de aproximadamente 100 mil litros de água para controlar o incêndio; 10 soldados trabalharam na operação.
Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi mantida no local até o final da tarde de ontem, em esquema de revezamento, para fazer o rescaldo. O barracão inteiro é feito de zinco e se transformou em um verdadeiro forno. Apesar de não estar com toda a sua capacidade de armazenagem ocupada - 300 toneladas -, o calor produzido foi o suficiente para derreter o piso feito de concreto. O maquinário, um conjunto de batedor de algodão, também foi atingido e, provavelmente, perdido.
O dono da empresa, Nilson Mauro Malinoscki, calcula um prejuízo de aproximadamente R$ 100 mil. O barracão é alugado, e nem o imóvel, nem a empresa tinham seguro. É inviável fazer seguro deste tipo de negócio. O risco é muito grande e quando uma seguradora aceita, cobra caro demais, explica Malinoscki. Ele acredita que em 30 dias os trabalhos poderão ser retomados. Os funcionários começaram ontem mesmo o trabalho de limpeza e recuperação do barracão.
Há oito anos no mercado, ele afirma que este foi o primeiro incêndio de vulto sofrido pela empresa. Há pouco mais de uma ano, conta, houve um princípio de incêndio na sede da empresa, na rodovia Celso Garcia Cid (PR-445), consequência de outro incêndio que estava acontecendo nas proximidades. Mas não tivemos maiores consequências. Ao todo, sete funcionários trabalham no barracão mas, na hora em que o algodão pegou fogo, nenhum deles estava no local. Os bombeiros foram avisados por dois rapazes, cuidadores de gado, que dormem em um barraco construído ao lado do barracão. A área onde está o barracão é grande e, de noite, serve como pasto para uma criação de gado.
As únicas vítimas fatais do incêndio foram os três filhotes da cadelinha Neguinha. Os animais, com dois meses de idade, estavam no barracão onde a cadela deu cria e os amamentava. O lugar, escolhido por ser aquecido e tranquilo, acabou se transformando em armadilha para os filhotes.
Ontem à tarde, Neguinha chorava pelos cantos enquanto aguardava ansiosamente que alguém entrasse no barracão ainda cheio de algodão fumegando. Assim que surgia qualquer oportunidade, ela entrava, provavelmente na esperança de encontrar os filhotes.


