Uma atitude precipitada de algumas assistentes sociais e educadoras que trabalham no Projeto Sinal Verde, da Prefeitura de Londrina, assustou ontem moradores e comerciantes do centro. Elas colocaram fogo em alguns colchões e tapetes velhos que estavam dentro de um prédio abandonado na frente do Pronto Atendimento Infantil (PAI). A fumaça fez com que alguns vizinhos pensassem que o prédio estava pegando fogo. Os bombeiros foram chamados e chegaram em dois carros, prontos para apagar um incêndio.
Nervosa, a educadora Giselda de Lima disse que o fogo foi uma tentativa de expulsar definitivamente um grupo de pessoas que transformou o prédio num mocó: ''Estamos há mais de um mês tentando tirar essas pessoas daqui, que fazem do local um ponto de prostituição e tráfico de drogas. Achamos que seria boa idéia queimar os colchões velhos e um tapete que eles usam para dormir.''
Os bombeiros alertaram para o perigo da iniciativa. ''Elas poderiam ter provocado um incêndio de verdade e colocaram a vida em risco com a inalação da fumaça'', disse o tenente Dimas Menegatti.
De acordo com a equipe do Sinal Verde, um programa da Secretaria de Ação Social que trabalha com a população de rua, o prédio está abandonado há anos. ''Chamamos a atenção de todo mundo e quem sabe o dono do prédio aparece e dá um jeito'', desabafou Giselda.
A secretaria quer o apoio da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) nas ações de abordagens nos mocós. A idéia, segundo a diretora técnica e secretária interina Cirlene Maria Ferreira, é evitar atitudes imprudentes, como a que ocorreu ontem. Caberia à equipe da CMTU promover a limpeza do local. Desta forma, ela acredita será possível dificultar o retorno das pessoas. ''Não foi correto chegar ao local e atear fogo, mas há tempos a equipe vinha recebendo denúncias de que o local estava sendo usado como ponto de tráfico e prostituição.''
Ontem ela esteve no local, onde constatou que se tratavam de seis pessoas, a maioria também frequentadora de outro imóvel abandonado, na Avenida Duque de Caxias. O próximo passo será notificar o dono do imóvel para que tome as medidas de segurança necessárias.

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