Vinte e três presos fugiram do 3º Distrito Policial (DP) de Londrina, por volta das 5 horas da madrugada de ontem, através de um buraco feito na cela nº 8, que dá acesso ao pátio de sol. De acordo com o delegado Valdir Abrahão da Silva, responsável pelo DP, a fuga foi viabilizada por dois detentos que recebem a chave das celas diariamente para realizar a distribuição da comida e recolhimento do lixo na carceragem.
Após a última vistoria, feita pelos policiais na sexta-feira, eles colaram esparadrapos na tranca dos cadeados das celas 7 e 8, que permaneceram abertas. Durante a noite de domingo, detentos de outras celas se acomodaram nas duas celas destrancadas e conseguiram fugir. Quando o plantonista Marto Patrocínio de Souza percebeu a movimentação, se dirigiu ao pátio e disparou alguns tiros, mas não conseguiu conter a fuga.
O delegado explicou que os dois presos que recebem as chaves das celas, conhecidos por ‘‘correrias’’, realizam o trabalho de limpeza e alimentação porque não há pessoal suficiente para fazer o serviço. ‘‘O plantonista não pode entrar na carceragem sozinho, pois corre o risco de ser rendido’’, afirmou. Normalmente, são escolhidos detentos com penas leves para assumirem a responsabilidade.
Ele também disse que o buraco devia estar pronto há algum tempo, antes da última vistoria. ‘‘Provavelmente estava camuflado com papel e tinta, por isso os policiais não viram’’, explicou, ressaltando que a configuração do DP não é adequada para abrigar presos, pois o interior das paredes contém uma ferragem fina, ao invés de armação para construção civil.
A última fuga de presos do 3º DP foi em maio deste ano. Para Abrahão da Silva, as fugas constantes são resultado da total falta de estrutura do distrito. ‘‘Só temos um plantonista por turno e falta vigilância noturna. O DP existe para atender a população e não para abrigar presos’’, argumentou.
Antes da fuga de ontem, havia 60 detentos distribuídos em dez celas, conforme determinou o juiz corregedor da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle, no começo de outubro, quando as cadeias dos distritos de Londrina foram parcialmente interditadas. Entre os 23 fugitivos, havia presos já condenados. De acordo com o delegado, nenhum era de alta periculosidade.

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