Focos de incêndio triplicam em sete dias
O número de queimadas no Brasil registradas pelo satélite NOAA-12 entre os dias 15 e 21 de agosto, praticamente triplicou em relação à semana anterior. Foram 5.836 focos de fogo nesta semana, contra 2.203. O aumento, nesta época, segue os padrões verificados em anos anteriores. Agosto costuma ser um dos piores períodos, sobretudo para a região sul da Amazônia, onde aeroportos fecham por causa do excesso de fumaça, aumentam os acidentes nas estradas e os casos de problemas respiratórios nos hospitais.
No Paraná os índices estão excepcionalmente altos para esta época do ano, sobretudo entre Curitiba, Ponta Grossa e Guarapuava. O fogo, nesta região, pode estar associado às geadas de julho e do início do mês, que ressecaram a vegetação e abriram caminho para incêndios, a partir da beira das estradas.
Apesar da proibição das queimadas agrícolas em Mato Grosso, o Estado detém o recorde de pontos de fogo da semana. Há registros espalhados por todo o território mato-grossense e as maiores concentrações foram constatadas na região norte, numa extensa linha desde as margens do Rio Aripuanã, na divisa com Rondônia, no oeste do Estado, até a Ilha do Bananal, no leste, na divisa com o Tocantins.
Na região de Maringá, o fogo nas margens de estradas tem preocupado o Corpo de Bombeiros. Ontem, dois incêndios atingiram reservas de matas nativas e ameaçavam propriedades com lavouras e residências.
O primeiro incêndio destruiu parte de reflorestamento com eucaliptos na zona rural de Presidente Castelo Branco (26 quilômetros a noroeste de Maringá). No início da tarde o fogo em um canavial passou para a mata ciliar do Ribeirão Andirá, em Mandaguaçu, queimando mais de 4 quilômetros de vegetação com espécies nativas.
Na área de reflorestamento de eucalipto o fogo começou na madrugada de ontem. Quando vi as chamas descendo em direção à minha casa chamei os vizinhos para combater, disse o agricultor Pedro Ribeiro da Silva. Ele mora em uma propriedade de 5,5 alqueires cercada pelo reflorestamento. Pelos cálculos de Silva, até o início da tarde mais de 15 alqueires já tinham queimado e a mata fechada nas margens do córrego impedia o trabalho de combate.
Nas margens do Ribeirão Andirá, no vizinho município de Mandaguaçu, o fogo começou por volta das 14 horas. Um grupo de cortadores de cana que pescava no local teve que se abrigar das chamas. Colocaram fogo na cana e o fogo pulou para a mata, disse o cortador de cana Donizete Reis da Silva. Uma área de pelo menos 100 alqueires estava queimando até o final da tarde de ontem.
O incêndio em Mandaguaçu foi o terceiro de grandes proporções em zonas rurais da região em dois dias. Anteontem, uma área de 187 alqueires foi completamente destruída pelo fogo. O incêndio atingiu os sítios Santa Rosa, Santa Maria e Berato, próximos de Maringá, destruindo lavouras, pastagens, uma casa de madeira e um barracão. O Corpo de Bombeiros vai solicitar perícia nas áreas atingidas para tentar descobrir a origem dos incêndios.
(Colaborou Marcos Zanatta)





