FNS ensina a prevenir barriga dágua
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Mário CesarCorpo-a-corpoNa palestra, técnicos mostraram slides para as crianças explicando os sintomas e formas de contágioTécnicos da Fundação Nacional de Saúde começaram ontem de manhã o trabalho de prevenção contra a esquistossomose nos bairros pobres de Londrina. Logo de manhã, na vila Ricardo (zona leste), eles fizeram palestra para dezenas de crianças que estudam na escola Carlos Zewe Coimbra, instituição que concentrou nove dos 10 casos da doença registrados pela FNS no mês passado. A escola fica no jardim Marabá (zona leste), um dos bairros considerados pela Fundação como mais crítico em relação à esquistossomose. Em uma bateria de exames de fezes realizados no ano passado entre a população infantil e adulta da localidade, foram identificados mais de 20 casos de barriga dágua, como a doença é popularmente conhecida.
A palestra foi ministrada pela equipe do Núcleo de Educação e Saúde da FNS, na sala de aula onde funciona o Projeto Oficina da Vila Ricardo. No local, as crianças carentes dos jardins Santa Fé, Rosa Branca, Santa Inês, Marabá e vila Ricardo têm atividades recreativas, culturais e profissionalizantes. O projeto é mantido pela Prefeitura e pelo Clube das Mães Unidas.
Mário CesarContágioRio das Pedras: funcionários capturam caramujos onde as crianças costumam brincar no verão
Durante a palestra, os técnicos da FNS mostraram slides para as crianças - e algumas mães - informando os sintomas e as formas de contágio da esquistossomose. Eles explicaram que a doença é ligada à falta de saneamento básico e transmitida através da larva do schistossoma mansoni. O contágio é feito pela pele.
As crianças aprenderam que o ciclo da esquistossomose começa quando um homem infectado com o verme defeca às margens de rios ou córregos. Nas fezes estão os ovos que, em contato com a água, se rompem expelindo o miracídio (embrião). Ele procura o caramujo hospedeiro e, depois de alojado, passa por uma metamorfose, dando origem a várias larvas (cercárias) que penetram no homem através da pele.
Entre as crianças que assistiram à palestra, duas fizeram o exame de fezes no mês passado e apresentaram o verme da esquistossomose. Wellington Gomes, 10 anos, morador do Santa Fé, e Welton Henrique Borges, 8 anos, do jardim Marabá, acreditam que contraíram a doença quando andavam dentro de um córrego. Wellington tem quatro irmãos e Welton, cinco. Eles não sabem se os familiares também têm o problema e agora garantem que não vão mais brincar no córrego que passa perto de suas casas.
No jardim Marabá foram identificados 20 casos da doença no ano passado
A doméstica Maria Tereza de Jesus, 36 anos, moradora do Marabá e mãe de cinco filhos, estava ontem na palestra dos técnicos da FNS. Ela diz que já ouviu falar da doença e sabe que o contágio é feito através da água. Apesar de proibir as crianças de brincarem no córrego, Maria Tereza reconhece que é difícil vigiar os filhos enquanto está no trabalho: No verão, eles acabam indo para o rio.
Depois da palestra, os funcionários da FNS começaram a percorrer os bairros da zona leste, conversando com as mães e informando sobre os riscos da esquistossomose. O corpo a corpo começou pelos jardins Marabá e Rosa Branca. Segundo o supervisor geral de endemias da Fundação, José Carlos Moraes, uma equipe de 17 técnicos vai visitar 1.200 famílias. A previsão é que a abordagem termine hoje ou na segunda-feira. Eles também capturaram, no Rio das Pedras, os caramujos hospedeiros da larva que transmite a doença.


