FNS alerta: risco de dengue aumenta com chuva e calor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Lucília Okamura 
Josoé de CarvalhoPrevençãoEquipe vistoria quintal no jardim Leonor: cuidado especial com objetos que podem servir de criadouro A Fundação Nacional de Saúde (FNS) registrou, no mês passado, 14 notificações de casos suspeitos de dengue. O número está abaixo da média (no ano passado, no mesmo período, foram registrados 39 casos suspeitos), mas o quadro pode mudar nos próximos meses, já que a chuva tem atrapalhado o trabalho da FNS e aumenta o risco de incidência da doença.
O supervisor geral de endemias da FNS, José Carlos Morais, acredita que uma das causas do baixo índice de notificações no mês passado é a Operação Londrina Contra a Dengue, que já vem sendo desenvolvida há dois anos. A população tem se conscientizado sobre os riscos da doença, afirma. A operação é desenvolvida em conjunto com a prefeitura.
Segundo José Carlos Morais, a FNS ainda não recebeu o resultado de nenhum dos exames das pessoas com suspeitas de dengue. Como aqui não tem laboratório para diagnosticar, os exames são realizados em Curitiba e os resultados demoram 60 dias em média para sair.
Mesmo sem os resultados, o supervisor da FNS explica que é realizado o bloqueio (dedetização) na área considerada de risco - entre 300 e mil metros ao redor da residência atingida. Ele conta que a equipe da FNS tem realizado diversos bloqueios, sendo que um dos últimos aconteceu ontem de manhã, no conjunto Vivi Xavier (zona norte).
José Carlos Morais informa que, no ano passado, foram registrados 1.083 casos notificados, sendo que 402 foram confirmados. No Paraná todo, foram notificados 2.200 casos, o que significa que metade deles aconteceu em Londrina, ressalta.
A Operação Contra Dengue envolve uma série de atividades, como orientação junto aos moradores dos 120 mil domicílios da Cidade. O trabalho, segundo José Carlos Morais, consiste em visitar a residência, passando orientações aos moradores e vistoriando o quintal à procura de objetos que podem servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypt, como garrafas, pneus e vasos.
Por causa da chuva, as visitas realizadas pelos técnicos da FNS estão prejudicadas. José Carlos Morais diz que o trabalho foi desenvolvido em apenas nove dias neste mês. Atingimos cerca de 25 mil residências na região norte, relata. Entre outros bairros visitados, estão os conjuntos Maria Cecília e Violin.
O supervisor da Fundação Nacional de Saúde observa que este período de chuvas e de calor é preocupante já que oferece condições propícias para o inseto se multiplicar. Ele observa que a chuva constante faz com que qualquer objeto jogado no quintal, desde uma casca de ovo até um saco plástico, se torne um criadouro de Aedes aegypt.
José Carlos Morais recomenda aos moradores que vistoriem o quintal a cada três ou quatro dias e que joguem os objetos que possam servir de criadouro. As garrafas devem ser viradas com a boca para baixo e os pneus cobertos para ficarem protegidas da chuva, completa. José Carlos Morais diz ainda que deve-se evitar jogar lixo em terrenos baldios.
Além disso, o supervisor da FNS ressalta ser importante que a pessoa com suspeita de dengue procure o posto de saúde mais próximo para que o caso seja notificado. Entre outros sintomas, a pessoa infectada com dengue sente febre, dor de cabeça, dor nas articulações, erupção na pele e mal-estar.
Ainda dentro da operação, nos últimos meses foi feito um arrastão nas residências, fundos de vale e terrenos baldios. Ele conta que, em toda a cidade, foram coletados cerca de 150 mil quilos de lixo. O trabalho maior, segundo ele, foi nos fundos de vale, onde foi encontrado todo tipo de lixo.
A FNS vem desenvolvendo ainda trabalho junto aos comerciantes da área central. Técnicos vêm percorrendo lojas localizadas em uma área de 100 quarteirões da área central, orientando os comerciantes e vistoriando possíveis locais de focos do mosquito.


