Os floristas que atuam nas Arcadas do Pelourinho, no centro de Curitiba, estão revoltados com a administração municipal. Segundo eles, o espaço criado para abrigá-los há três anos e sete meses, na época da revitalização da área, está dificultando o trabalho, trazendo inclusive prejuízos. O problema é o acrílico que cobre as arcadas. No verão, o material não protege do sol e aquece ainda mais o espaço, estragando as flores. Além disso, eles reclamam da instalação elétrica precária e de bueiros entupidos.
Gilmar Lins Caldas, que possui quatro das sete bancas de flores das arcadas, diz que os floristas não entendem como a prefeitura desenvolveu o projeto sem levar em consideração o tipo de cobertura ideal para o comércio que iria abrigar. O assunto já foi tema de uma audiência com o prefeito Cassio Taniguchi, há quatro meses. ‘‘A própria prefeitura admite que houve erro, mas até agora não tivemos nenhuma solução’’, diz.
Edimilson David de Oliveira, funcionário de uma das floriculturas, diz que o aquecimento das arcadas deteriora mais rapidamente as flores, principalmente no verão. As rosas, por exemplo, que geralmente duram três dias, acabam sendo expostas apenas um dia. Se não são vendidas, vão para lixo. Com isso, o prejuízo chega a 30% das vendas, afirma.
Leandro TaquesSegundo Edimilson de Oliveira, o aquecimento das arcadas deteriora mais rapidamente as flores, principalmente no verão. O prejuízo chegaria a 30%
Para tentar solucionar o problema, os floristas chegaram a gastar R$ 10 mil para colocar uma película protetora em toda a cobertura. Mas não adiantou. A idéia agora, segundo os floristas, seria a instalação de um forro, como já existe no ‘Cafezinho’, que também funciona nas arcadas. Os floristas se propõem a pagar pela obra, mas a sugestão não é aceita pelo Ippuc, que já anunciou que a medida prejudicaria a estética do local.
Além do aquecimento, os comerciantes reclamam que a instalação elétrica é deficiente, o que provoca constantes queimas de lâmpadas. Cansados de fazer a reposição do material sugerido pela prefeitura, muitos floristas resolveram fazer instalações provisórias com lâmpadas comuns, que são mais baratas e resistentes, segundo Gilmar Caldas. Ele diz ainda que os dois bueiros instalados em cada lateral das arcadas estão constantemente entupidos. Em dias de chuva, a água acaba transbordando sobre o corredor existente entre as floriculturas.
A reportagem da Folha procurou a prefeitura para saber se um novo projeto para atender a reivindicação dos floristas está sendo realizado, mas não teve retorno da assessoria de imprensa.Leandro TaquesGilmar Caldas, dono de quatro bancas de flores, diz que o material usado nas arcadas não previu o comércio que iria abrigarAdriana Ribeiro

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