Florianópolis registra outro apagão
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segunda-feira, 03 de novembro de 2003
Jairo Marques<br> Agência Folha 
Florianópolis - Técnicos da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) fizeram ontem um reforço na estrutura emergencial montada para restabelecer a energia na ilha de Santa Catarina, onde moram cerca de 300 mil habitantes de Florianópolis. Na noite de sábado, devido a fortes rajadas de vento, cabos elétricos colocados embaixo de uma ponte se chocaram com o concreto, o que provocou um novo blecaute. Por mais de sete horas, até a manhã de ontem, a cidade ficou sem luz e água de novo.
A parte insular de Florianópolis já havia ficado sem energia elétrica por cerca de 53 horas entre a tarde de quarta-feira e a sexta-feira da semana passada, devido a um acidente em uma galeria da Celesc, situada sob a ponte Colombo Salles, que ficou completamente comprometida. O local afetado era a única fonte que mantinha a energia na ilha.
Uma estrutura de emergência foi montada para trazer de volta a energia à cidade. A obra, que seria normalmente realizada em 90 dias, foi levantada em 48 horas, por 250 homens, sujeita, assim, a eventuais falhas.
O apagão de sábado começou às 19h. De acordo os engenheiros da Celesc, os ventos com velocidade superior a 120 km/h fizeram os cabos estendidos embaixo da ponte Pedro Ivo Campos, onde uma passarela foi interditada para receber a estrutura, se chocarem com o concreto e desligar o sistema. Os órgãos de meteorologia já haviam previsto fortes rajadas de vento e chuva para Santa Catarina durante o final de semana.
Com o novo blecaute, parte dos moradores da ilha quis sair da cidade, o que provou congestionamentos no acesso à porção continental da capital, onde acabaram ocorrendo arrastões. Os supermercados também ficaram lotados de pessoas querendo comprar velas, pilhas, gelo e mantimentos enlatados. Mais uma vez, houve perdas, ainda sem cálculo definido, para o comércio e para a população. No primeiro incidente, somente a Câmara de Dirigentes Lojistas acredita ter tido prejuízos de R$ 30 milhões.
Até as 18h de ontem, o fornecimento de energia estava normal na ilha, onde durante os blecautes somente o sistema de telefonia fixa funcionava regularmente. Ventos com forte intensidade continuavam na capital.
Em entrevista para uma rádio da cidade, a ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, disse que, com, esse segundo apagão, a preocupação do ministério é maior, mas que não é momento de cobrar responsabilidades, embora tenha deixado claro que a linha afetada pelo acidente de quarta-feira, de 138 mil volts, seja de responsabilidade da Celesc. Dilma acha que a aplicação de uma multa aos responsáveis tem de ser vista pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em outro momento.


