A Pastoral da Criança tem motivos de sobra para comemorar os 15 anos de criação, festejados hoje em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), berço do programa. O trabalho foi iniciado em 1983, com apoio da arquidiocese de Londrina, quando o município apresentava um dos maiores índices de mortalidade infantil do Paraná. De cada mil crianças nascidas vivas, 127 morriam antes de completar um ano de idade. Este índice hoje é praticamente zero. Em 97 houve apenas uma morte e a causa não estava relacionada à desnutrição.
O índice alarmante de 83 motivou a idealizadora do programa, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, com o apoio da arquidiocese de Londrina, escolheu o município para iniciar o programa-piloto.
No começo, 20 coordenadoras organizaram as tarefas, dividindo o município em áreas e apontaram outras lideranças para reforçar os trabalhos. Para o primeiro curso de formação foram inscritas 76 pessoas, mas na hora do curso, mais de 100 estavam presentes. Com este crescimento nos trabalhos de orientação e monitoramento das crianças, a mortalidade infantil foi reduzida a quase zero.
Um dos projetos da entidade é o enriquecimento alimentar. As mães aprendem a aproveitar alimentos que geralmente são desperdiçados no dia-a-dia, como as folhas e sementes de frutos e legumes, incorporando-os ao hábito alimentar. Aliado à campanha de aleitamento materno, controle de doenças diarréicas e de doenças respiratórias, e a produção de remédios caseiros (fitoterapia), ajudam na recuperação e manutenção da saúde das crianças.
Atualmente Florestópolis vive um problema considerado tão grave quanto a desnutrição: o desemprego. O município é agrícola e 70% de sua população (aproximadamente 15 mil habitantes) depende do campo, principalmente das culturas da cana-de-açúcar, que oferece emprego somente no período de safra. Na entressafra, o desemprego aumenta em mais de 50%, o que força o êxodo das famílias para outros municípios, dificultando o trabalho da pastoral.
Pensando neste tipo de problema, que é constante nos bolsões de pobreza do país, foi criado o programa de geração de renda para a auto-sustentação das famílias e prevenção da marginalidade social, com pequenos projetos de apoio à melhoria das condições de vida e saúde das famílias carentes. Para iniciá-los, a Pastoral da Criança realiza um trabalho de capacitação para a atividade escolhida por estas pessoas e depois repassa o recurso necessário, dando toda a assistência que precisam.
Quando o projeto começa a gerar lucros, esses mesmos recursos são devolvidos e depositados num fundo rotativo da diocese visando a aplicação em outros projetos. Em alguns municípios brasileiros já está em funcionamento o programa de capacitação profissional dos adolescentes, buscando melhorar a oferta de mão-de-obra especializada.
Hoje, países da América Latina e África estão implantando este programa no combate à desnutrição e mortalidade infantil. No Peru, por exemplo, a Pastoral da Criança já está formada em 32 dioceses. No continente africano ela está presente nos países de Moçambique e Angola. Segundo os incentivadores, a pastoral não distingue raça, cor e religião para realizar um trabalho considerado de ‘‘amor ao próximo’’.


Município: Florestópolis
Localização: 75 km ao norte de Londrina
População: aproximadamente 12 mil habitantes
Projeto: acompanhamento materno-infantil
O que faz: orienta as famílias sobre o que fazer no combate à desnutrição e acompanhamento de gestantes
Beneficiados: 920 crianças de 0 a 6 anos e aproximadamente 750 famílias

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