Bandeirantes - Cento e trinta e cinco aves silvestres, originárias da fauna da Mata Atlântica, foram apreendidas em apenas dois dias pela Polícia Florestal de Londrina. Ontem de madrugada, o barbeiro José Clarindo de Souza, 58 anos, foi surpreendido na rodoviária de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio) com três caixotes de madeira, onde 52 aves eram mantidas em condições precárias. Segundo a polícia, ele pretendia comercializar os animais em uma feira livre que é realizada toda semana em Santos. ''As gaiolas, que estavam dentro de três sacolas, chamaram atenção das pessoas que estavam na rodoviária. Quando chegamos, ele estava pronto para embarcar para Santos, onde mora. Ele transportava as aves em condições que caracterizam o crime de maus-tratos'', relatou o tenente Marcos Ginotti Pires, comandante do Pelotão da Polícia Floresta de Londrina.
O barbeiro disse ter pago R$ 140,00 pelo conjunto, mas não informou quem seria o fornecedor ilegal de aves silvestres. Entre os exemplares apreendidos, alguns são considerados raros, como o curió, o galo-da-campina e o azulão. Outros vivem em florestas do litoral paranaense. ''O bota-fogo e o sete-cores, por exemplo, são encontrados principalmente no litoral'', disse o tenente. Além de ser multado em R$ 26 mil, o barbeiro foi indiciado dentro da lei de crimes ambientais por tráfico de animais silvestres e poderá pegar de seis meses a um ano de prisão. Como o crime é considerado de baixo potencial ofensivo, ele foi liberado.
No domingo, a polícia fez mais duas apreensões domésticas na região. Em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), o pedreiro Valdecir Pereira da Silva, 39, e o vigilante Júlio César dos Santos, 27, foram autuados por criar aves em cativeiro sem autorização ou licença do Ibama. Em Cambé (13 km a oeste de Londrina), o borracheiro Jean Pablo Camargo, 27, e o auxiliar de almoxarifado Rafael Mauroite Ruiz, 27, também foram multados em R$ 500,00 por cada espécie apreendida.
As aves foram encaminhadas para uma entidade de preservação em Arapongas, onde passarão por um processo de readaptação antes de retornar para o habitat natural. Os viveiros, que contam com o acompanhamento de veterinários e biólogos, são administrados por uma empresa do gênero alimentício.
Segundo o tenente, o Paraná é o terceiro estado no ranking do comércio ilegal de animais silvestres. ''Pedimos à população que se mobilize e denuncie este tipo de crime, que tem se tornado comum na região Norte do Estado'', disse o comandante.

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