O uso das essências de flores para o alívio de dores físicas e o restabelecimento do equilíbrio são conhecidos desde a Antiguidade. Bem mais recente, porém, é a terapia floral como conhecemos hoje. Foi entre os anos de 1930 e 1934 que o médico homeopata e patologista Edward Bach, desanimado com a medicina ortodoxa, decidiu morar numa floresta de Gales, na Grã-Bretanha. Guiado por sua intuição e um genuíno interesse em compreender a verdadeira causa do sofrimento e das enfermidades, Bach descobriu que tinha uma sensibilidade que lhe permitia sentir as energias transmitidas pelas flores apenas tocando-as ou colocando na boca as gotas que o orvalho deixava sobre elas.
  Experimentando em si próprio o processo do ‘‘cura-te a ti mesmo’’, o médico identificou 38 flores silvestres da flora inglesa e escreveu os fundamentos da sua nova proposta terapêutica. Mais tarde, agrupou os florais de acordo com o que classificou de sete principais estados mentais e/ou emocionais que afligem as pessoas: medo, solidão, desalento ou desespero, incerteza ou insegurança; falta de interesse pelo presente, hipersensibilidade a influências externas e opiniões, preocupação ou cuidado excessivo com os outros.
  Segundo a terapeuta floral Tarsila Domene Bessani, atualmente existem mais de três mil essências florais catalogadas. Desde 1976 os florais são reconhecidos e recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com a aprovação pelo Departamento de Saúde do Reino Unido e pela Food and Drug Administration (FDA).
  Tarsila explica que a terapia com florais se baseia no princípio de que a doença física ou emocional é resultado de um desequilíbrio energético, que por sua vez, é causado, por exemplo, por pensamentos ruins. Cada flor possui uma frequência e características próprias que, quando ingeridas, atuam nos diversos campos de energia que circundam o nosso corpo e produzem bem estar e harmonização emocional, mental e física, visto que várias doenças vêm de emoções não curadas.
  A essência floral é feita de uma planta não cultivada, encontrada em seu habitat natural, sem interferência humana, nas primeiras horas da manhã, e de preferência, no máximo de sua floração. Os florais são obtidos a partir de um processo que reproduz as gotas de orvalho nas plantas, após receberem a incidência dos primeiros raios solares da manhã. ‘‘A energia vital da planta é transferida para a água. É a energia da flor que agirá sobre o paciente’’, explica Tarsila. A solução de uso é composta por duas a quatro gotas desta água, acrescida de água mineral e brandy (conhaque de uva) como conservante.
  Por não conterem substâncias químicas ou farmacológicas, os florais são utilizados para complementar tratamentos alopáticos ou homeopáticos. Eles não possuem contraindicação ou efeito colateral, contudo, não são inócuos. Uma essência mal indicada pode aumentar desnecessariamente uma ‘‘virtude’’ e causar uma crise emocional, ou não surtir efeito algum. ‘‘Somente o terapeuta floral possui o repertório e sensibilidade necessários para captar em que frequência a pessoa está e quais os florais indicados para reequilibrá-la.’’ .
  Segundo Bach, a doença é, essencialmente, resultado do conflito entre a Alma e a Mente. Por isso, um dos fundamentos da terapia floral é tratar as causas e não os sintomas da doença. ‘‘O floral possui uma proposta autoeducativa, de busca pelo autoconhecimento e harmonização entre mente e alma. Só faz terapia floral quem quer mudar de vida. E os resultados são rápidos e eficientes’’, assegura a terapeuta floral Cleunice Zanuto.


­Mais se­gu­ran­ça e paz in­te­rior

  An­tes e de­pois dos flo­rais. É as­sim que a coor­de­na­do­ra ad­mi­nis­tra­ti­va Már­cia Cris­ti­na Pol­za­to di­vi­de a sua vi­da. ‘‘Era ner­vo­sa, bri­guen­ta e in­se­gu­ra. De­pois que co­me­cei a to­mar os flo­rais, há ­dois ­anos, es­tou ­mais se­gu­ra e tran­qui­la. Fa­ço coi­sas que an­tes não ­conseguia’’, as­se­gu­ra. Se­gun­do Már­cia, os be­ne­fí­cios co­me­ça­ram a apa­re­cer ­dois me­ses de­pois de ini­ciar a te­ra­pia. ‘‘Os flo­rais ­agem su­til­men­te, cla­rean­do as ­idéias, aflo­ran­do vir­tu­des e te fa­zen­do ‘­enxergar’ o que real­men­te pre­ci­sa ser fei­to. Não per­co ­mais tem­po com ­autoflagelação’’, co­men­ta.
  De­pois de ­anos de­di­ca­dos à Edu­ca­ção, a pe­da­go­ga Ma­ria ­Inez Mar­ques da Sil­va apo­sen­tou-se, po­rém, viu-se so­bre­car­re­ga­da com os cui­da­dos de­di­ca­dos aos fa­mi­lia­res doen­tes e os afa­ze­res do­més­ti­cos. ‘‘Es­ta­va es­tres­sa­da, com as emo­ções à ­flor da ­pele’’, re­cor­da-se. Em uma far­má­cia de ma­ni­pu­la­ção ou­viu fa­lar de uma te­ra­peu­ta flo­ral. O tra­ta­men­to já du­ra ­dois ­anos e ­meio. ‘‘Lo­go pas­sei a me sen­tir ali­via­da, fle­xí­vel e ­mais ­relaxada’’, afir­ma. De­pois de ali­viar os sin­to­mas, Ma­ria ­Inez de­ci­diu as­so­ciar o flo­ral à te­ra­pia con­ven­cio­nal, o que a aju­dou a res­ga­tar trau­mas que pre­ci­sam ser tra­ba­lha­dos.
  Se­gun­do a far­ma­cêu­ti­ca e te­ra­peu­ta flo­ral ­Lucy Mie Oba Shu­ha, mui­tos que so­frem de trans­tor­nos emo­cio­nais es­tão se tra­tan­do com flo­rais em subs­ti­tui­ção aos psi­co­tró­pi­cos ‘‘por­que pos­suem efei­to rá­pi­do e não cau­sam ­dependência’’.
  A far­ma­cêu­ti­ca Ro­se­mei­re Te­ra­mae Gus­hi­ken afir­ma que o pre­ço de um flo­ral va­ria con­for­me o nú­me­ro de es­sên­cias e os sis­te­mas uti­li­za­dos. ‘‘Os flo­rais im­por­ta­dos en­ca­re­cem a fór­mu­la. Mes­mo as­sim, uma fór­mu­la com qua­tro, cin­co es­sên­cias cus­ta, em mé­dia, R$ 12,00’’, ex­pli­ca. (C. V.)

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