Israel Reinstein
De Curitiba
Quem passa por Curitiba, não imagina o trabalho que dá manter as ruas floridas. Os canteiros e jardins de amor-perfeito, tajetes e verbenas das praças e parques são resultados do plantio feito por mais de 60 profissionais, responsáveis pelo cultivo e manuntenção das flores. No entanto, algumas pessoas ignoram este serviço e acabam destruindo o que demorou alguns meses para ser cultivado.
Anualmente, o Horto Municipal cultiva 2 milhões de mudas, que repõem as flores e árvores das ruas da cidade. Em média, uma flor plantada em um vaso deveria durar 50 dias. Mas não é o que acontece na prática. A reposição de um vaso no centro da cidade tem que ser feita em sete dias, por causa do roubo de mudas ou da simples destruição. ‘‘A maioria das pessoas respeita o que é cultivado, mas existe um grupo pequeno que é capaz de destruir o trabalho de todo mundo’’, diz o chefe de divisão do Horto Municipal, o engenheiro agrônomo Maurício Dobjanski.
Dobjanski conta que o vandalismo é maior na região central da cidade, onde passa um número grande de pessoas. Ele não soube precisar quanto do que é plantado é destruído, mas aponta que a depredação também é grandes em bairros de periferia. ‘‘Quem destrói não recebeu educação ambiental’’, diz.
Para atingir estas pessoas, a prefeitura vem trabalhando em plantios comunitários e sensibilização de moradores que vivem próximos de canteiros. Nesses casos, prossegue, os canteiros duram mais de uma semana. ‘‘Com isso, o custo de manutenção cai’’, afirma.
Um dos projetos é o do Piá Ambiental, que ensina crianças em situação de risco a plantar e cultivar flores. Com isso, as mudas de amor-perfeito, tajete e de boca-de-leão espalhadas por Curitiba trazem uma história a mais, que apenas o trabalho de jardinagem.
Há quase cinco anos, esse funcionário vem ensinando os jovens a cultivar o respeito e a responsabilidade. ‘‘Fui um dos primeiros do programa, que largou a cola e passei a plantar e cultivar as flores’’, conta o menino Lucas da Luz, 17 anos. Hoje o sonho deste menino é conseguir um emprego em uma montadora da cidade.
Quando entrou aos 15, Lucas vivia na rua e cheirava cola. ‘‘Hoje, estou longe delas e me sinto mais seguro, trabalhando para pagar a compra de material escolar, sapatos e roupas’’, diz orgulhoso com seus R$ 70,00 mensais.Uma flor plantada em um vaso deveria durar 50 dias, mas em Curitiba a reposição das plantas é feita em uma semana
Fotos: José SuassunaAMOR PELAS FLORESOs canteiros e jardins de Curitiba são resultado do trabalho de 60 jovens profissionais, que trabalham no Horto Municipal. Lucas da Luz (ao lado) foi um dos primeiros meninos carentes a participar do programa. ‘‘Larguei a cola e passei a plantar e cultivar as flores’’, conta o menino

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