Flores para combater o preconceito
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Ibiporã Estufas para produção de flores se transformam em salas de aulas através do projeto ''Piá das Flores'', desenvolvido pela Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de quatro municípios da região de Londrina. Em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina), Cambira (19 km a oeste de Apucarana), Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e Porecatu (85 km ao norte de Londrina), o engenheiro ambiental Leandro Vieira D'Ambrósio ensina um grupo de 80 alunos a cultivar flores e plantas ornamentais.
Com apoio das equipes pedagógicas locais, o projeto visa capacitar e profissionalizar pessoas que, por portarem necessidades especiais, costumam ser excluídas do mercado de trabalho. A iniciativa tem também o objetivo de melhorar a auto-estima dos estudantes. Através do empenho de todos os envolvidos, as flores se transformam em armas contra o preconceito.
Para a professora Cleonice Castro Cunha, da Apae de Ibiporã, o maior benefício do programa é a valorização dos estudantes. ''Os alunos, que muitas vezes acham que não são capazes, descobrem que podem fazer coisas como cultivar flores'', disse, lembrando que a associação se empenha em inserí-los no mercado de trabalho e também nas escolas regulares. ''Estimulamos o potencial de todos. Aqui na estufa, os alunos sempre nos surpreendem com a proposta de novas soluções'', acrescentou.
Toda a produção é vendida em feiras e nas próprias Apaes. O dinheiro arrecadado é investido no programa, que é auto-sustentável e, inclusive, contrata ex-alunos. Juntas, as estufas das quatro cidades comercializam aproximadamente três mil vasos mensais. Amarilis, gerânios, lírios, impachiens, crisântemos e plantas verdes em geral são produzidas e embaladas em cachepôs decorativos pelos próprios alunos.
A rentabilidade, segundo o engenheiro ambiental, é alta. Um vaso de gerânio, por exemplo, tem custo de R$ 1,00 e é vendido por R$ 3,50. No mercado tradiconal, o mesmo produto chega a custar R$ 10,00. ''A idéia é fazer flores bonitas com preços baixos'', considerou D'Ambrósio.
O processo produtivo é programado para garantir maior oferta de flores durante datas comemorativas como Dia das Mães e Dia dos Namorados. Também através do projeto, estudantes da rede municipal de ensino visitam a estufa e aprendem a cultivar flores com os alunos da Apae. A atividade acontece um mês antes do Dia das Mães. Na data da comemoração, os alunos das escolas visitantes levam flores plantadas por suas próprias mãos para presentear as homenageadas do dia.
D'Ambrósio começou a desenvolver o ''Piá das Flores'' em Bela Vista do Paraíso há quase dois anos. Neste município, a estufa de 840 metros quadrados produziu, sozinha, três mil plantas no último mês de maio. Em Ibiporã, o projeto começou há três meses e já cobriu os investimentos feitos. Na sede da instituição, que tem 14 alqueires, os alunos também desenvolvem atividades de paisagismo e começarão, em breve, a reflorestar uma área de dois alqueires.
A meta do coordenador é ambiciosa. Através da segmentação dos plantios em cada município, ele pretende conseguir escala de produção e, assim, abastecer parte do mercado da região. ''O plano é comprar um caminhão climatizado para fazer a distribuição'', afirmou.
D'Ambrósio, que já desenvolveu projetos ambientais em outros estados e inclusive recebeu um prêmio da Unesco (ver texto nesta página), desenvolve nas Apaes sua primeira experiência com excepcionais. A experiência, garante, trouxe grandes descobertas. ''Acho que sou eu quem mais aprendo. Graças ao projeto, aprendi a ser mais calmo e a saber esperar.''


