Imagem ilustrativa da imagem Floradas chamam a atenção em Londrina
| Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

Moradores e turistas se encantam ao circular por Londrina diante dos ipês e cerejeiras carregados de flores. E não basta só passar e contemplar a paisagem. Há quem desça do carro ou da moto, encontre o melhor ângulo e registre o momento pelo celular - e faz da natureza o elemento principal de sua fotografia. Os ipês e cerejeiras cor-de-rosa e os dias de inverno tornam a cena tão harmônica quanto contrastante. A ausência de nuvens, fazendo o céu ficar azul, traz mais uma cena a ser admirada: as calçadas ficam cor-de-rosa, graças às flores que o vento derruba.

A empresária Zélia Caldieri mora na zona sul de Londrina e as recentes visitas à casa da sogra, no jardim Dom Bosco (zona oeste), estão ainda mais prazerosas. Próximo dali, na rua João XXIII, a composição de cerejeiras é verdadeira atração na praça que fica nas proximidades do IFPR ( Instituto Federal do Paraná). “Vemos muitas famílias passeando por aqui e toda essa beleza deixou a praça mais atrativa. Dá vontade de sentar, fazer piquenique e isso valoriza todo o entorno”, comenta.

Os filhos de Caldieri têm 14, 10 e seis anos e também podem usufruir desse contato com a natureza. Com um vestido estampado, a empresária admite que o bem-estar que as flores trazem acabam influenciando até em seu figurino. “Dá pra ver mesmo. É alegre."

Trabalhador na redondeza, Ronieder de Souza só observa o tanto de gente que estaciona na pracinha para eternizar o que os olhos veem. “É o dia todo. Já faz umas três semanas que está assim e nós ficamos felizes de saber que isso é motivo de notícia nos jornais”, comenta. “Geralmente é só notícia ruim”.

O agrônomo Gustavo Costa faz da praça na rua João XXIII um de seus pontos de relaxamento há anos. “É um cidade com muitos prédios, motos, avenidas e aqui é como se estivéssemos no meio do mato", brinca. Recostado à placa intitulada “Espírito Poético” – Associação de poetas referência aos literatos japoneses da cidade, o jovem considera que ali encontra-se em paz, pois ali há silêncio, flores e o caminhar sobre as folhas caídas o agrada.

Imagem ilustrativa da imagem Floradas chamam a atenção em Londrina
| Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

ANTECIPAÇÃO

De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Guilherme, trata-se de algo atípico. “A florada do ipê roxo adiantou um pouco, sim porque a seca, a falta de água, acaba induzindo os ipês a florescerem antecipadamente. E a da cerejeira também acaba sentindo essa questão da seca. O que se explica pela situação climática. Quanto mais rigoroso o inverno, a florada da cerejeira é ainda maior", relata.

Tradicionalmente, de acordo com Guilherme, junho e julho são os meses do ipê roxo, julho e agosto do ipê amarelo de cerrado, e fim de agosto do ipê rosa. "Setembro costuma ser o ipê branco e no final de setembro é o amarelo, chamado de Minas Gerais e de porte grande. Tempo muito seco e umidade de ar muito baixa resultam em florada bem mais curta por conta do ressecamento e perda d´água e isso já aconteceu em outros anos", informa.

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