É inverno, mas pode-se dizer que é tempo de flores. Primavera antecipada? Não, é apenas uma atitude generosa da natureza, que não se cansa de conquistar olhares de encanto. Ao contrário do pensamento popular de que baixas temperaturas são representadas por cenas de árvores secas, as ruas de Londrina provam que mesmo no inverno há lugar para exibir cores e formas exuberantes.
Acostumadas a enfrentar ventos fortes e gelados, algumas espécies, nesta época, despendem suas folhas e dão lugar às mais belas flores. E quem não resiste a este espetáculo é a dona de casa Amélia Moreno Pátaro, moradora há 24 anos, da Rua Piquiri, na Vila Balaroti (região central).
''Um dia vi essas flores e fiquei encantada. Então resolvi comprar uma muda na feira e plantar no quintal. Não deu outra. Ela se transformou no enfeite de casa, pois todo mundo que passa admira'', conta Amélia, que sempre aguarda o mês de maio com ansiedade, período de início de floração do manacá-da-serra, que surpreende não só pelo volume de seus buquês, mas também por suas tonalidades. ''Ela aflora na cor branca, passa pelo rosa e no fim, fica lilás. É lindo'', observa.
O engenheiro agrônomo Paulo Roberto Guilherme, responsável pelo Viveiro Florestal Municipal, explica que a floração de inverno, por via de regra, é característica das espécies manacá-da-serra, quaresmeira e ipê-roxo, seguidas do ipê-branco, ipê-amarelo, ipê-rosa, acácia-manduirana e acácia imperial.
''Porém não são descartadas as possibilidades de floração de outras espécies, uma vez que as épocas de floradas estão cada vez mais irregulares'', afirma o especialista, que trabalha com duas hipóteses para tal desequilíbrio: as mudanças climáticas ou a própria variação genética.
''Isso foi percebido em Londrina, há quatro anos, quando o pau-brasil deixou de florescer e produzir frutos que seriam utilizados para originar mudas. A partir daí, observamos que isto também estava ocorrendo com outras espécies'', salienta.
Sobre o plantio de mudas no inverno, Guilherme afirma que no Viveiro esta prática é constante. Segundo ele, o frio é a época que paralisa o crescimento vegetativo, faz com que todas as folhas caiam e assim a árvore concentra uma maior quantidade de carboidrato, resultando em um crescimento mais fortificado, já que as chances de fixação no solo aumentam.
Para o período, Guilherme afirma não existir nenhum plano de plantio específico para o município, apenas os que já faziam parte do calendário da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). A última ação ocorreu na semana passada, no Jardim Columbia (Zona Oeste), onde foram plantadas mudas de sibipirunas no canteiro central da Avenida Vinícius de Moraes.
''A escolha das espécies é definida pela Sema, com base no planejamento paisagístico da cidade. Nas avenidas principais, geralmente são priorizadas as que possuem florescimento abundante, justamente pela valorização estética'', conta.
Seguindo esta mesma ideia, porém estando longe de ser uma avenida, a Rua Castro Alves é um bom exemplo de paisagem colorida. Na calçada de Edgar Baer,
a quaresmeira revela seu momento de beleza ao desabrochar suas flores. ''O cuidado é constante. Sempre podamos, adubamos se necessário e regamos. Escolhemos plantá-la por dar flor duas vezes ao ano. Assim, sempre temos essa beleza garantida em frente de casa'', conta ele, que mora há 30 anos no Jardim Shangri-lá A.
E todas essas demonstrações da natureza mostram, não só para Edgar ou para Amélia, como para tantas outras pessoas, que a teoria de que a primavera só se faz presente no calendário está totalmente correta. Sorte a nossa.

mockup