Flávia finalmente é sepultada na Cidade
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sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Luka Morais 
O corpo da relações públicas Flávia Regina Vilela Staut, 23 anos, foi sepultado ontem, às 12h30, no Cemitério Parque das Oliveiras (zona leste de Londrina). O corpo veio em um avião da TAM, acompanhado pelo irmão de Flávia, Lúcio Staut, e pelo namorado dela, Robson Alves. O sepultamento aconteceu 21 dias após o acidente áereo com o Fokker 100, da TAM, que vitimou 98 pessoas. Familiares e amigos foram até o aeroporto levando rosas.
Graças a Deus vamos poder enterrar a Flávia. Este é um momento de alegria e de vitória, disse Lúcio Staut. Ao desembarcar no aeroporto, Lúcio entregou à mãe dele, Lúcia Villela Staut, uma carta do médico Daniel Romero Munõz, chefe do Serviço de Identificação do Instituto Médico legal (IML) de São Paulo. Na carta, o médico e sua equipe agradecem à família o apoio e compreensão na realização dos trabalhos.
Lúcio não criticou o fato de o IML ter liberado o corpo de sua irmã, que foi sepultado no Cemitério da Saudade, no Rio de Janeiro, como sendo o da aeromoça Mariceli Pires Carneiro. A confirmação foi feita através de exames da arcada dentária. Flávia não tinha os terceiros molares. Mariceli possuía todos os dentes.
Lúcio Staut acompanhou todo o processo de reconhecimento do corpo da irmã. Ele atribuiu o engano na liberação do corpo de Flávia à pressão exercida sobre a equipe do IML pelos familiares das vítimas do acidente aéreo. Ele disse que, por enquanto, sua família não pensa em exigir indenização da companhia aérea. Estamos cumprindo etapas. Vamos enterrar a Flávia. Robson Alves, que namorava Flávia há quatro anos, comentou que estava nos planos do casal o noivado até o final do ano e o casamento em breve.
Do aeroporto, o corpo da relações públicas foi levado à capela do Cemitério Parque das Oliveiras. Amigos, colegas de trabalho, professores e funcionários da TAM manifestaram apoio aos familiares. Agora o sofrimento de Lúcia (mãe) vai ser menor, depois de poder enterrar a filha, comentou uma amiga.
O padre Salvador Stragaped, que celebrou a missa de formatura de Flávia no ano passado, conduziu a cerimônia de despedida e a bênção do corpo. O sepultamento foi retardado em meia hora. Enquanto aguardavam a chegada de parentes, por sugestão do celebrante, amigos, conhecidos e familiares foram convidados a prestar uma homenagem à jovem. Ela foi a filha que toda mãe gostaria de ter, resumiu uma amiga, lembrando do sorriso e da alegria.
Ela era como um luz, comparou a manicure que a conhecia há nove anos. Ela sempre falava de Jesus, era muito sorridente, alguém especial. Uma religiosa do Colégio Mãe de Deus lembrou que Flávia foi aluna de piano. Ela foi um pequeno raio de sol. Onde passava transmitia alegria e, hoje, dia em que celebramos a apresentação de Jesus no templo, vamos também apresentar Flávia a Deus, para que a leve junto de seu coração. A ex-professora lembrou da presença da aluna no colégio Evaristo da Veiga e conduziu uma oração pedindo forças para a mãe da relações públicas, que tem outros dois filhos.
Uma amiga que se formou com Flávia no ano passado disse: Tia Lúcia (a mãe de Flávia) sabe da dedicação de Flávia, da presença forte, determinada. Ela emanava alegria. Não vamos nos esquecer da sua alegria, das suas gargalhadas. Ela que tinha muita fé, agora está com Deus. Depois, os amigos a homenagearam com uma música que foi apresentada também por Flávia na solenidade de formatura: Amigos para sempre.


