A ação, ou intimidação, dos flanelinhas já é conhecida em todo o Estado. Hoje eles estão presentes nas pequenas, médias e grandes cidades. Contudo, levando em consideração as devidas proporções, Curitiba continua fazendo escola na formação desse tipo de mão-de-obra, que desafia as autoridades de trânsito e impõe regras e normas aos motoristas.
Os flanelinhas de Curitiba são modernos e organizados. Por incrível que pareça, eles têm dois turnos de trabalho para infernizar a vida dos motoristas. Durante o dia, vendem, no mercado paralelo, os cartões de estacionamento regulamentado, chamados de Estar. À noite eles se transformam nos guardadores de carro.
A última novidade desse segmento organizado da sociedade curitibana é a divisão da cidade. Hoje os flanelinhas mais espertos já delimitaram seu espaço de atuação. É difícil de acreditar, mas os limites são respeitados. Além de superfaturar o valor do cartão de 1 hora, que no mercado paralalo custa até R$ 1,50, com um ágio de 100%, agora eles abusaram.
Exemplo recente é de um motorista que estacionou seu carro em uma das tantas ruas com Estar de Curitiba. Como no local não havia nenhuma funcionária do estacionamento regulamentado para adquirir o cartão pelo preço normal, teve então que recorrer ao flanelinha. Esse então pediu R$ 1,50 pelo ticket. O motorista achou caro e atravessou a rua para comprar o cartão de outro flanelinha que, primeiro, perguntou onde estava estacionado o carro. Quando descobriu que estava do outro lado da rua, simplesmente recusou-se a vender o cartão, alegando que a área pertencia a outro flanelinha.
Isso mostra que nos tornamos reféns não somente do sistema, que nesse caso não mantém nas ruas um número suficiente de funcionárias para atender aos motoristas, mas também de oportunistas que se valem da deficiência das autoridades de trânsito para atentar contra a população.

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