Flanelinhas disputam vagas nas ruas
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sábado, 09 de abril de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Que o mercado informal absorve cada vez mais trabalhadores todos os brasileiros sabem, mas em Londrina até quem quer ser flanelinha tem dificuldade para encontrar um ponto. Há oito anos no ramo, o guardador de carro Júlio Rodrigues de Abreu, de 25 anos, afirma que é visível o aumento de pessoas à procura de um bico como flanelinha. De vez em quando aparece gente por aqui pedindo trabalho, conta.
Mesmo na informalidade, o trabalho de guardar carros pode render muito mais do que um registro na carteira. Abreu, que trabalha durante o dia em um dos estacionamentos da prefeitura (Zona Sul) e à noite próximo ao Ginásio Moringão, na Área Central, conta que por mês consegue ganhar cerca de R$ 600,00 mais de dois salários mínimos.
A alguns quilômetros dali, ao lado da 17ª Regional de Saúde (Área Central), um outro flanelinha, que preferiu não se identificar, vê a possibilidade de ter seu próprio ponto. Como estou trabalhando bem mais à noite, vou passar o meu local para ele, conta o também guardador de carros Aparecido Goldinho, de 35 anos.
A história de Goldinho também revela uma mudança no perfil destes trabalhadores: antes adolescentes, hoje adultos. Há 20 anos atuando como flanelinha ele já teve outras propostas de emprego, mas que não compensaram. Eu comecei como cobrador da Zona Azul e como tinha experiência no ramo, quando saí do programa, passei a trabalhar sozinho, relembra. Situação parecida aconteceu com Abreu, que começou aos 15 anos na profissão e não deixou mais.
Goldinho também trabalha na Avenida Rio de Janeiro e ao lado do Bar Brasil, onde ele cobra uma taxa fixa. O pessoal que também trabalha lá estipulou entre R$ 2,00 e R$ 3,00, então é o que cobro. Mas aqui, na Regional, eu pego o que me dão, explica. O flanelinha conta que na madrugada o rendimento é maior porque o perigo de roubo aumenta. Aí as pessoas dão mais valor para o nosso trabalho, afirma.
E já que o trabalho oferece uma renda boa, a luta por um lugar ao sol é cada vez maior. Quando tem show no Moringão aparece um monte de flanelinha novo. Aí a gente fala que é o nosso ponto. Às vezes, dá até briga, confessa o guardador Júlio de Abreu. Para resolver o problema, eles acabam dividindo os clientes: os que vão para o show, e os que freqüentam outros locais na região. Os do show são dos novatos, declara.
Outra tendência que prova o aumento destes profissionais informais é que tem até flanelinha para guardar moto. No estacionamento da Prefeitura, Paulo Roberto Gonçalves da Silva, de 38 anos, além de cobrar para cuidar das motos, evita que carros ocupem as vagas das motocicletas. Eu pego o quanto eles podem dar, não tenho preço fixo, afirma. Como ele fica no meio do canteiro ao lado da prefeitura, também consegue um dinheirinho pelos carros que param na rua.
Segundo o diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, não há como saber quantos flanelinhas existem em Londrina. Quanto à possibilidade de legalizar o trabalho, Grotti acredita que não seria uma tarefa fácil. Uma pessoa que trabalha ao lado do Marista consegue ganhar uns R$ 30,00 por noite. No outro dia ele pode dormir o tempo todo. É difícil adequá-los a uma empresa ou programa onde tenham que cumprir horários, justifica.


