A omissão e o descaso da polícia também estão sendo denunciados por usuários e funcionários da 17 Regional da Saúde, na área central da cidade. Eles têm sido coagidos, às vezes de forma violenta, por um grupo de quatro flanelinhas que fazem ''ponto'' no local. Assim que uma pessoa chega e estaciona o carro, eles se aproximam, exigindo dinheiro para ''cuidar'' do veículo. Diante de qualquer negativa, eles ameaçam com a possibilidade de ''acontecer alguma coisa com o carro''.
Cansados de conviver com a situação, os funcionários acionaram a polícia e ouviram que pouca coisa poderia ser feita. ''Ontem (quinta-feira) tive que pedir para um taxista me acompanhar até o carro'', afirma uma funcionária do órgão, que pediu para não ser identificada. Ela relata também que funcionárias já foram empurradas pelos flanelinhas quando se recusaram a pagar e que eles frequentemente estão sob o efeito de álcool ou drogas. ''Eles vêm para cima da gente de um jeito que dá medo de não dar dinheiro'', confessa.
Segundo ela, o grupo está agindo há cerca de três meses. O problema começou depois que um político da cidade abriu um escritório nas imediações e iniciou a distribuição de café da manhã para pessoas carentes. A funcionária afirma que a polícia já foi chamada mas teria dito que não pode fazer nada já que não há denúncia formal contra o grupo. Os funcionários do órgão estão organizando uma abaixo-assinado pedindo providências para as autoridades policiais e municipais. ''Alguém tem que fazer alguma coisa'', desabafa.
Na vizinhança, mais reclamações. Um morador da região, que também não quis ser identificado temendo represálias, relata que depois de 18 anos no bairro foi assaltado duas vezes nos últimos 5 meses. ''A gente não pode dizer que são eles mas isso começou só depois que eles apareceram'', argumenta. Ele também acionou a polícia mas o resultado foi decepcionante. ''Eles falaram que não podiam fazer nada''. Segundo o morador, quem sofre mais são os motoristas. ''Esse pessoal ameaça mesmo e tem aparecido muito carro riscado e roubo de estepes por aqui'', denuncia.
A reportagem da Folha flagrou a ação dos flanelinhas, dois homens, um deles visivelmente alterado. ''A gente acaba dando dinheiro mesmo, me sinto coagida pois a gente não sabe se eles vão fazer alguma coisa com o carro'', confirmou uma dentista abordada pelo grupo.

mockup