Flanelinha vai trabalhar de carro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Albari RosaPaulo,com o filho: favorável à criação de um sindicato para brigar com a UrbsPaulo Roberto M. (ele prefere não divulgar o sobrenome) poderia ser confundido com qualquer assalariado de carteira assinada. Ele chega para trabalhar com o seu próprio carro, um Fiat 147. A diferença é que ele tem outra profissão: guardador de carros. Mas prefiro não vir de carro todos os dias porque as tirivas implicam comigo. Tiriva é o nome de um passarinho verde e serve de apelido para as funcionárias da Urbs que controlam o estacionamento regulamentado. Ontem, Paulo não foi trabalhar de carro, mas fez questão de posar para a foto com o filho Paulo Éber, que o acompanha todas as manhãs, ao lado de um carro bacana.
Paulo cuida dos carros estacionados em uma quadra da Rua Saldanha Marinho, entre as ruas Ébano Pereira e Ermelino de Leão, no Centro.
O guardador usa uma linguagem toda especial para falar sobre seu trabalho. Ele está revoltado com a determinação da Urbs de proibir que o cartão do Estar seja colocado do lado de fora do pára-brisa dos carros. Se o cliente está atrasado para uma missão e acabou o bloco do Estar, ele vai ser multado. Felicidade dos que têm amizade comigo e deixam a chave do carro para eu colocar, renovar o cartão e até mudar o carro de lugar.
Com a proibição, segundo o guardador, caiu pela metade a venda dos cartões do Estar. Os guardadores compravam muito mais. Eles (a Urbs) estão usando nosso nome para torturar a sociedade, disse, para justificar a acusação de que os guardadores cobravam valores muito altos por uma folha de estacionamento.
Combatendo os guardadores, as autoridades estão abrindo espaço para os ladrões. Nós, os guardadores, somos funcionários públicos particulares porque trabalhamos por nossa conta como guardas, diz.
Enquanto conversava com a reportagem da Folha, Paulo impediu o filho de ir receber a gorjeta de um dos carros estacionados. Ele só ficou poucos minutos. Não vou cobrar por isso. Quero que o povo se sinta à vontade, afinal vivemos dele, explicou.


