Flanelinha acha ótimo a retirada dos fiscais
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sábado, 13 de abril de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
Ele trabalha como guardador de carros há pelo menos três anos e estampa, no palavreado e na malícia, a liberdade que alcançou vivendo e sofrendo nos dias e noites pelas ruas da cidade. Marcelo Alves tem 19 anos e está ansioso em saber se os fiscais da Zona Azul vão ou não ser realmente retirados das ruas a pedido da Procuradoria Regional do Trabalho. Se eles saírem vai ser ótimo.
Dos motoristas, ele garante que nunca cobrou nada. Eles dão quanto quiserem. Para os que não contribuem, resta o aviso: não estou nem aí se acontecer alguma coisa com o carro. Nos melhores dias, ele chega a faturar até R$ 20,00. Nos piores, a arrecadação não passa de R$ 6,00. Uso o dinheiro para comprar comida e uma ou outra roupa, comenta.
A concorrência nos pontos trabalhados pelos flanelinhas tem aumentado nos últimos meses e interferido nos rendimentos, segundo Marcelo. Todo ponto que a gente vai já tem gente, reclama. Entre eles já existe até uma escala de revezamento e são comuns as discussões. No ponto do Bosque (área central), onde atua, Marcelo revela que seus dias são sexta-feira, sábado e domingo. Nos demais dias da semana, outros jovens exploram a região. Ele diz desconhecer o trabalho da Polícia Militar de Londrina de recadastrar todos os flanelinhas que atuam na cidade.
Marcelo confessa que, se pudesse, não trabalharia como flanelinha. É muito ruim porque tem muita gente que reclama. Mas, pelo menos por enquanto, é isso que lhe restou. Um dos poucos sonhos que mantém é ganhar por mês.
Depois de ter abandonado a escola na terceira série do ensino fundamental, Marcelo afirma que passou a trabalhar como servente de pedreiro com um irmão. Porém, como não se entendiam muito bem, resolveu sair de casa e passar os dias nas ruas.
Natural de Maringá, hoje em dia ele continua sem moradia fixa e não mantém contato com nenhum de seus parentes. Fico na rua, durmo no banco do bosque ou em qualquer outro lugar, relata, sem nenhum orgulho da sua realidade.
Da família, ele se lembra apenas que os pais morreram há bastante tempo, que tem três irmãos e outras nove ou onze irmãs espalhadas por diversas cidades do Paraná e outros estados.


