Saias longas, xales coloridos, uma rosa no cabelo e, para completar, um sapato de bico redondo e salto quadrado que faz muito barulho ao tocar o tablado. De fundo música espanhola e, em frente ao grande espelho, um grupo de senhoras pronto para iniciar mais uma aula de flamenco.
Primeiro o alongamento: pescoço de girafa, como ensina a professora, mãos esticadas ao alto da cabeça e movimentos de sobe e desce para alongar a coluna. Em seguida, o aquecimento das mãos, peças importantes na composição da coreografia da dança espanhola: girando o punho de um lado e do outro, as alunas vão entrando no clima. Depois começam os primeiros passos, uma levantada de pé aqui, uma dobra de joelho ali e elas colocam o sapato para fazer barulho. Começa o espetáculo, que tem uma hora de duração.
Mais do que aprender a dançar, a aula de flamenco funciona como um escape para as mulheres que venceram a timidez - e muitas vezes a proibição do marido - e se puseram a bailar. Não é à toa que a professora Ana Paula Minari, formada em dança pela Unicamp e especialista em arte e educação pela UEL, batizou a aula de flamencoterapia.
''Para muitas, aprender o flamenco é um sonho de vida'', comenta Ana Paula, citando a origem espanhola e a vontade de fazer uma atividade física diferenciada como outros motivos para o sucesso das turmas de terceira idade. ''Não esperava tanta procura'', confessa a professora, que criou duas turmas matutinas e está prestes a abrir um terceiro grupo vespertino de aulas de flamenco para quem já passou dos 60.
Sucesso na Europa, a flamencoterapia trabalha, através dos movimentos da dança espanhola, o condicionamento físico, ''pois trabalha muito a região cardiovascular do corpo'' - como assinala Ana Paula - e também ajuda a corrigir problemas posturais.
''A atividade ainda trabalha a mémoria, que é estimulada quando elas conseguem gravar as sequências de passos, além da audição e motricidade. Aliada a todos esses elementos a flamencoterapia também tem ajudado, e muito, em casos de depressão porque eleva a autoestima dos praticantes'', garante a professora.
Em poucas aulas, Ana Paula já notou diferenças no comportamento das alunas. ''Elas estão mais felizes, se percebendo melhor e gostando mais de si mesmas.'' Para a professora, o principal desafio para as senhoras ainda é se propor a se mexer. ''Há uma inibição em fazer algo que as expõe. Mas elas estão saindo da casca do ovo'', brinca.
Leques e castanholas -
Após aprender a rimar as batidas do sapato no tablado e o movimento delicado das mãos à trilha musical, as alunas aprenderão a manusear acessórios característicos do flamenco, como castanholas, leques, xales e bastons, elementos que dão charme à dança.
''Como o público é diferenciado, o ritmo da aula é mais tranquilo. Elas são desafiadas, mas sempre respeitando seus limites'', descreve a professora, ressaltando que a procura pelo flamenco envolve também meninas a partir dos sete anos que buscam uma atividade física diferente da academia e do balé.

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