Na semana dedicada ao Meio Ambiente, dois flagrantes de desrespeito e descaso na Zona Leste de Londrina. Dezenas de pneus foram jogados e queimados na Rua Ernesta Galvani Santos, no Jardim Marabá. A fumaça podia ser vista de longe. A via, que não é asfaltada, é usada como depósito de lixo por carroceiros e moradores.
Pneus de caminhões, motos e carros também estão espalhados ao longo da Estrada dos Pioneiros. Os pneus estão tanto no acostamento quanto nas caixas d'água construídas próximas às lavouras da região. Muitos foram jogados no meio da estrada atrapalhando a passagem de veículos.
O descaso pode ser visto numa extensão de 13 quilômetros da estrada, que chega até a divisa da cidade de Ibiporã. A reportagem esteve no local na manhã de ontem e conversou com produtores e moradores da região. Eles afirmam que o descarte não é novidade. Os pneus de moto, por exemplo, foram jogados há duas semanas. A informação é do agricultor Valduir Florêncio, morador de Londrina e que possui propriedade na região. ''Os grandes, de caminhão, foram jogados provavelmente nesta madrugada. Ontem à noitinha passei por aqui e não tinha nada.''
O agricultor terá que retirar os pneus que foram jogados no meio da lavoura de trigo, que fica na beira da estrada. ''Eles sempre fazem isso. Não poupam nem a plantação. Há três meses precisei de um caminhão para retirar uma quantidade grande de pneus que jogaram na lavoura também'', reclamou.
Muitas vezes, segundo o produtor, da propriedade é possível ver a fumaça de borracha queimando. ''A gente só vê aquela fumaça subindo e o cheiro ficando insuportável. Precisamos que alguém tome uma providência''.
Muito revoltado, o trabalhador rural Adailton Garcia da Silva, morador de um sítio próximo e que utiliza a estrada todos os dias de bicicleta, reclamou do problema. ''Hoje (ontem) seis horas da manhã já passei aqui e vi isso tudo. É uma falta de respeito.''
O aposentado Valdecir Rodrigues de Araújo, morador do Conjunto Ernani Moura Lima possui uma chácara em Ibiporã e utiliza a estrada diariamente. ''Isso aqui está um perigo. Você tem que desviar dos pneus que estão no meio da pista''. Ele alega que o perigo é maior no período da noite. ''É uma estrada escura e quem passar por aqui não vai ver esses pneus enormes no meio da pista.''
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, informou que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) precisa identificar a revenda ou os responsáveis pelo despejo irregular. ''Se isso não for possível, terão que identificar os fabricantes e autuar todos eles.'' Ela aguarda o orçamento de dois locais que estão sendo avaliados por fabricantes e revendedores, que poderão servir como um ecoponto para a destinação dos pneus inservíveis.
O diretor de Operações da CMTU, Marcelo Barreto, afirmou que fará uma vistoria no local. Ele explica que a fiscalização fica difícil por causa dos despejos que acontecem, geralmente, durante a noite ou madrugada. ''Os fiscais têm um horário a cumprir e fica difícil o trabalho em horários diferenciados'', argumentou. Apesar disso, Barreto iria avaliar a possibilidade da fiscalização noturna.

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