'Fiz um filme para a família' diz Tizuka
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sábado, 03 de setembro de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
A obstinação e a segurança da cineasta Tizuka Yamasaki são admiráveis. Depois de cinco anos de muita labuta, conseguiu finalmente projetar o seu ''Gaijin - Ama-me Como Sou'' nas telas de cinema de todo o País. A sensação de dever cumprido vem sendo compartilhada com espectadores que puseram olhos sobre a portentosa produção, que consumiu aproximados R$ 11 milhões. ''Muita gente, depois da exibição, veio me abraçar e me cumprimentar. Há pessoas que disseram precisar de alguns dias para administrar as emoções'', diz ela, com indisfarçável orgulho.
São essas manifestações de apreço as quais Tizuka se apega para tentar neutralizar palavras não muito carinhosas digitadas por certos críticos a respeito de novo longa-metragem. ''Nunca vi o gosto da platéia coincidir com o gosto de crítico, que no Brasil é muito voltado a querer que você faça uma obra-prima'', afirma. ''Minha preocupação é fazer um filme que atinja o público que desejo'', complementa. O projeto, como explica, tem como foco principal a família de classe média.
Sorrisos e declarações incisivas marcaram a entrevista coletiva que Tizuka Yamasaki concedeu anteontem, no final da tarde, ao lado de produtores, atores e do secretário de Cultura, Luciano Bittencourt e do ex-dirigente da pasta, Bernardo Pellegrini. Ao seu lado esquerdo, dona Aya Ono, ou Dona Yaya, eleita a Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado (RS). Impossível, aliás, não se render aos encantos dessa senhora de 77 anos de idade que até então nunca havia atuado em nenhuma produção cinematográfica. ''Pensamos que ela (Dona Yayá) pudesse ganhar como atriz revelação, mas acabou sendo premiada numa categoria profissional'', analisa Tizuka, admitindo que levou o filme ao festival para ganhar prêmios. ''E ganhamos'', sentencia.
Além da expectativa de levar um bom público ao cinema ao todo são 120 cópias distribuídas em todo o País , a cineasta não esconde planos futuros para seu épico sobre quatro gerações de descendentes japoneses. Um deles: inscrevê-lo para concorrer à indicação do Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mesmo antevendo uma provável reação da comissão avaliadora do Ministério da Cultura, formada, segundo ela, por críticos aí vai subjetividade popular ou intelectualizada que pode nortear os critérios. ''O 'Gaijin' tem trabalho, competência e criatividade artística'', argumenta.
Outro fruto, ainda não amadurecido, seria utilizar parte do material não aproveitado na edição final uma cena com o grupo londrinense Mezanino, por exemplo, foi excluída para uma minissérie. ''Mas tudo vai depender de negociações que precisamos fazer ainda'', despista. Ao todo, o filme tem 2h15 de duração. Satisfeita em ter o projeto concretizado, Tizuka não se esqueceu do apoio da Prefeitura de Londrina. Os investimentos em torno de R$ 400 mil ela faz questão de falar em alto e bom tom que foram aplicados aqui. ''Eu pude perceber a vontade da população de que 'Gaijin' fosse filmado aqui'', analisa.
Agora é torcer para que muitos vejam um pouco de Londrina retratada na grande tela com vigorosas pinceladas vermelhas - assim como é a terra norte-paranaense e a cor predominante da bandeira japonesa.


