Fitoterápicos devem ser usados com orientação
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sexta-feira, 22 de abril de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Durante muito tempo acreditou-se que os medicamentos fitoterápicos não tinham contraindicações. Essa ideia aliada à sensação de que se estaria priorizando o uso de elementos mais naturais em comparação com outros tipos de medicações mais convencionais impulsionou o uso indiscriminado nos últimos anos. Mas fato é que a utilização de fitoterápicos e outros produtos feitos de ervas e plantas também exige cuidado e orientação médica.
Apesar de inúmeros benefícios já comprovados, é necessário atenção especial para as substâncias presentes nas plantas e como elas agem no organismo humano desde a sua colheita até o preparo. Os fitoterápicos também têm efeitos colaterais e reações adversas, afinal, possuem substâncias que causam modificações em nosso organismo e podem provocar problemas graves a saúde.
"Queremos reforçar alguns cuidados que se deve ter com esse tipo de medicação, porque ela também pode trazer alguns efeitos caso o tratamento não seja realizado adequadamente", alerta o professor do curso de Farmácia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renê Oliveira do Couto. "O cuidado com o fitoterápico é o mesmo que se deve ter com qualquer outro tipo de medicamento, pois independente da origem ele é um medicamento", continua.
Como forma de incentivar a entrada e a fabricação dos fitoterápicos na indústria farmacêutica, o governo brasileiro criou em 2006 a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Três anos depois veio o Programa Nacional. Isso fortaleceu muito a legislação nacional, que, segundo Couto, é uma das mais avançadas do mundo no assunto.
Porém, o desconhecimento por parte da população, ainda é grande. E aí mora o perigo. O professor usa o exemplo de um problema que tem ocorrido principalmente em Goiás. O estado do centro-oeste é o principal produtor do Viticromin, fitoterápico produzido através da mama-cadela e único no mundo com eficiência comprovada no tratamento do vitiligo.
"Ele tem efeito fantástico. Mas as pessoas estão usando indiscriminadamente o extrato da planta para fazer bronzeamento artificial, por exemplo. Só que o efeito da planta é tão potente, que costuma escurecer até a parte branca do olho. É nesse contexto que queremos indicar o uso racional para a população", reforça o professor.
Outro tipo de planta que merece atenção é a tóxica. A trombeteira é uma delas. Ela produz efeitos alucinógenos e deve ser evitada por pessoas em depressão, por exemplo. "O nosso cuidado é que existem muitas plantas que são utilizadas, porém ainda não temos conhecimento se vai fazer bem ou mal a longo prazo. Nesse ponto é que temos que orientar a população", salienta.
Por outro lado, o professor observa que alguns fitoterápicos têm funcionado bem para quadros específicos de doenças que exigem o uso de antibióticos e anti-inflamatórios. "O arsenal que temos é muito grande e potente, mas tem trazido efeitos maléficos, principalmente com relação a resistência bacteriana, já que elas desenvolvem mecanismos eficazes para resistir contra potência dos medicamentos. No caso do fitoterápico, isso é um pouco reduzido, porque a complexidade dos compostos é muito grande, e a bactéria não consegue resistir com tanta facilidade."


