Edna Mendes
De Guarapuava
Os médicos que atendem nos postos de saúde de Guarapuava, na região central do Paraná, poderão passar a receitar medicamentos elaborados à base de plantas medicinais.
Um projeto experimental na área de fitoterapia começa a ser implantado na rede pública de saúde do município.
Dois postos de saúde dos bairros Morro Alto e Primavera, e o Programa de Saúde da Família, que funciona no Jardim das Américas, já começaram a dar os primeiros passos para incluir a fitoterapia na rotina diária de atendimento.
A comunidade, atendida pelo sistema, está sendo orientada através de palestras, cursos sobre plantas medicinais, horta caseira e está recebendo mudas para cultivar as ervas em casa.
Os médicos também serão capacitados sobre uso da fitoterapia, através de um seminário que está sendo agendado. Eles serão orientados, principalmente, para o tratamento com o uso de ervas nos seis tipos de doenças mais comuns no município, conforme pesquisa realizada pelos oito órgãos responsáveis pelo projeto, entre eles, a Fundação Rureco, prefeitura e Embrapa.
A pesquisa constatou que problemas respiratórios, hipertensão, verminose, diarréias, gastrite e dores em geral são as doenças mais frequentes atendidas nos postos de saúde.
Além disso, um manual, dividido em três partes, está sendo elaborado para dar suporte aos médicos, enfermeiros e agentes de saúde que atuam nos postos. Também deve ser criada uma farmácia para a manipulação das plantas.
O projeto de implantação da fitoterapia na rede pública de saúde é um subprojeto do programa ‘‘Florestas Municipais’’, que inclui ainda projetos de estímulo ao cultivo de plantas medicinais como alternativa de renda, pesquisas de manejo agroflorestal das plantas medicinais nativas e levantamento etnobotânico das ervas utilizadas pela população.
Na região de Guarapuava, 120 famílias estão envolvidas no cultivo de 14 tipos de plantas medicinais, como capim-limão, camomila, hortelã, carqueja e macela, entre outras.
A produção das ervas é repassada a Central Regional de Comercialização do Centro-Oeste do Paraná (Cerccopa), mantida pelos produtores, que faz o beneficiamento das plantas medicinais.
Uma das regras para que o produtor possa participar do projeto é não utilizar adubos ou agrotóxicos durante o cultivo das ervas.
De acordo com o coordenador do projeto, o agrônomo Walter Steenbock, a idéia não é apenas substituir os medicamentos convencionais pelos fitoterápicos. ‘‘O paciente terá mais uma opção na escolha dos medicamentos.’’
Segundo Steenbock, uma pomoda à base de calêndula custa 20% mais barato que uma pomada industrializada utilizada para ferimentos leves.
O clínico-geral Basílio Techy diz que pode vir a receitar medicamentos fitoterápicos aos seus pacientes, ou ainda, associá-los aos produtos convencionais.
‘‘No tratamento de doenças mais complexas ainda precisamos aprimorar os estudos, mas em alguns casos as plantas medicinais surtem ótimos resultados e oferecem menos efeitos colaterais.’’ O médico exemplifica que já observou a eficácia de xarope de guaco no tratamento de tosses de alguns pacientes.
Todas as ervas produzidas pelo programa já estão disponíveis em farmácias, lojas de produtos naturais e nos supermercados do Grupo Superpão. Os preços variam de R$ 0,80 a R$ 2,00.

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