Da Sucursal

Kraw PenasA professora e fitoterapeuta Cleuza Nascimento, mostra a planta Coronha que, segundo ela, é capaz de curar em 100% os casos de varizesAquele infalível chá - receita tradicional de todas as avós para curar uma determinada dor - ao contrário do que parece, não está fora de moda. Cada vez mais, as pessoas procuram e aceitam soluções fitoterápicas para resolver problemas de saúde. A Prefeitura de Curitiba, que há mais de 16 anos utiliza a fitoterapia como alternativa de tratamento em várias unidades de saúde, registra a aceitação do método por cerca de 70% dos pacientes, o que significa mais de 50 mil pessoas por dia.
O médico Sílvio Miranda foi um dos responsáveis pela implantação da fitoterapia nas unidades municipais de saúde, em 1980. Segundo ele, cada um dos postos recebe em média 200 pacientes por dia. Das 98 unidades da cidade, 36 adotaram a alternativa do tratamento fitoterápico.
‘‘Quando inserimos o método pela primeira vez, foi com o objetivo de obter maior participação da comunidade no posto de saúde. Fazíamos reuniões com as donas-de-casa do bairro, que nos davam informações sobre a utilização das plantas’’, lembrou o médico. A unidade de saúde pioneira na implantação da fitoterapia foi a unidade Irmã Teresa Araújo, no Boqueirão.
As informações foram recolhidas, estudadas e devolvidas à população na forma de cartilhas e orientação sobre a correta utilização das plantas. Hoje, segundo Miranda, é rotina nas unidades de saúde utilizar eucalipto contra tosse, pata de vaca para diabetes, erva-doce para má-digestão ou maracujá como calmante.
‘‘Uma das vantagens destes medicamentos é o baixo custo, já que podem ser cultivados em casa’’, ensinou o médico Carlos Graça, que trabalhou na Unidade de Saúde Santa Cândida durante dez anos, sempre utilizando os fitoterápicos como alternativa.
A diretora do Centro de Informações em Saúde da prefeitura, Ester Paciornick, explicou que há uma equipe de pesquisadores que estudam estes medicamentos. ‘‘Não existe apenas a utilização popular’’, garantiu. Ela disse que é preciso ‘‘saber usar’’ os produtos. ‘‘O confrei, por exemplo, é um excelente cicatrizante, mas quando ingerido pode causar lesões de fígado’’, alertou.
Hoje, mais de 20 espécies medicinais são cultivadas na Fazenda Solidariedade, unidade da prefeitura em Campo Magro. ‘‘Temos ainda quatro viveiros comunitários, onde a população tem acesso a mudas fitoterápicas e informações’’, explicou. Os viveiros estão localizados nos bairros de Santa Felicidade, Jardim Botânico, Vila Verde e Cachoeira.

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