Fitas revelam plano de assassinato
HÚNGARO DESAPARECIDO
Fitas revelam plano de assassinato
Fotos Ney de SouzaEnrique Alliana está preso, acusado de planejar a morte do sócioO húngaro Ivan Jovancsevics
De Foz do Iguaçu
O conteúdo de três das cinco fitas cassete encontradas pela polícia de Foz do Iguaçu na mansão do húngaro Ivan Jovancsevics comprometem ainda mais os acusados da suposta morte do empresário, desaparecido há mais de dois anos. Na conversa gravada durante algumas reuniões, três pessoas planejavam misturar cianureto na bebida do estrangeiro ou matá-lo com uma injeção letal.
Para o delegado Paulo Renato Caldas, coordenador das investigações, não existem mais dúvidas do envolvimento do sócio Enrique Alliana, 25 anos, com o desaparecimento do empresário. As conversas são bastante comprometedoras. O que falta agora é a comprovação de que a ossada desenterrada do quintal da casa onde morava o húngaro seja mesmo dele. Aí não teremos mais dúvidas sobre o assassinato e quem o cometeu, disse.
O dentista que tratava do empresário confirmou que a arcada dentária encontrada junto a partes de ossada, fivela de cinto e um relógio de pulso reconhecido através de quatro fotografias confiscadas da mansão é humana. Todo o material deve ser enviado ao Instituto Médico Legal que, em 30 dias, deve divulgar um laudo comprovando se os ossos são mesmo do húngaro.
Alliana pode responder por crime de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver. No dia da prisão, depois de denúncias anônimas de que pessoas estranhas estariam vivendo na casa de Jovancsevics, o acusado apresentou uma procuração, assinada e registrada em cartório, que o autorizava a administrar e morar na mansão, avaliada em R$ 400 mil.
Entre as denúncias recebidas pela polícia, algumas revelam que o empresário havia deixado o país por causa de dívidas contraídas no comércio de Foz. Alliana confirmou a versão em seu depoimento, mas o delegado acredita que estas mesmas dívidas possam ter levado os sócios a assassinar o empresário.
Nas reuniões realizadas nos últimos meses de 97 e no começo de 98, os sócios parecem bastante preocupados com a volta de Jovancsevics, que estaria em Buenos Aires. E prometiam pôr um fim a estas dívidas que estavam dando prejuízos a eles, afirma Caldas.
Enrique Alliana está preso desde a semana passada e teve sua prisão preventiva decretada anteontem pelo juiz Haroldo Luis de Marchi. Eduardo Alliana, irmão gêmeo de Enrique, também é acusado de envolvimento no crime. Ele se apresentou à polícia, mas foi liberado por falta de provas.





