Fita cassete recebida anteontem pelo Ministério Público da Comarca de Cascavel, com gravação na qual o prefeito de Santa Tereza do Oeste (24 km a oeste de Cascavel), Renaldo Antunes (PSDB), teria admitido receber propinas em compras feitas pela prefeitura e em pagamentos a fornecedores, será submetida agora à perícia pelo Instituto de Criminalística para comprovar sua autenticidade. O promotor Maurício Kalache, da Defesa do Patrimônio Público, observou que este tipo de gravação não tem sido aceito como prova pela Justiça, ‘‘mas pode pelo menos oferecer indícios de fatos’’.
A fita foi entregue por dirigentes de partidos políticos e por um vereador de Santa Tereza do Oeste. Também foram entregues documentos sobre casos citados na gravação, que foi feita por Olímpio Picoli, presidente do PFL e ex-secretário municipal de Meio Ambiente. Picoli diz que registrou a conversa com o prefeito (usando um minigravador) em uma viagem de carro que fez com ele, depois de se convencer de que estava ocorrendo ‘‘dilapidação do patrimônio público’’. Segundo o ex-secretário, o diálogo versou sobre vários casos em que Antunes comenta propinas que teria recebido em compra de carros, obras e serviços contratados pela prefeitura.
Olímpio Picoli assegura que a fita entregue ao Ministério Público ‘‘terá sua autenticidade comprovada, e nela não há qualquer montagem’’. Ruídos que em alguns trechos dificultam a compreensão dos diálogos, seriam resultantes ‘‘do barulho do motor do carro’’. Renaldo Antunes, que estava em licença desde o início do mês, reassumirá hoje em meio ao impacto gerado pela denúncia (o município tem cerca de 10,5 mil habitantes). Ele era vice-prefeito e assumiu em decorrência da morte (em acidente de carro) do prefeito Ademir Renostro (PDT), no final de 97.
A Câmara Municipal recebeu ontem pela manhã cópia da denúncia contra Antunes, com pedido para que instale comissão processante. Em hipótese, a Câmara pode concluir pela cassação do prefeito. Renaldo Antunes afirma desconhecer o assunto, e diz que o ex-secretário ‘‘tenta se vingar’’, porque foi demitido. Picoli assegura ter pedido afastamento do cargo (no mês de agosto). Além de Olímpio Picoli, são denunciantes Agenor Lombardo e Sebastião Matos, presidentes municipais respectivamente do PSDB e PDT, e o vereador Cláudio Cotienschi (PFL).

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