Fita que comprova extorsão por policiais pode ser examinada
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 1999
Célia Baroni 
A fita gravada pela proprietária de auto-escola, Elizabeth Moraes Machado, apresentada como prova da tentativa de extorsão contra dois investigadores do 2º Distrito Policial (DP) e um escrivão da Polícia Civil de Londrina, pode ser encaminhada para testes em Curitiba. A informação foi repassada ontem pelo delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Acácio de Azevedo. Os peritos do Instituto de Criminalística vão examinar a fita, mas se for constatado que os recursos disponíveis são insuficientes, o material será encaminhado a Curitiba, disse.
O investigador Robson Avancini e o escrivão José Antônio Alves Camargo estão presos no Instituto de Criminalística de Londrina. Eles têm direito à prisão especial.
A prisão preventiva de Avancini, Camargo e do investigador Daniel Pinto de Melo foi pedida pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Camargo e Avancini se apresentaram voluntariamente, mas Melo continuava desaparecido até o início da tarde de ontem. Com a denúncia de extorsão, o delegado do 2º DP, Antônio Zuba de Oliva, foi afastado do cargo. Em seu lugar assumiu a delegada Valdete Testone.
O advogado de defesa de Camargo e Avancini, João dos Santos Gomes Filho, disse ontem que Camargo deverá ser ouvido na segunda-feira. Já protocolei um requerimento na 5ª Vara Criminal, pedindo para ter acesso à fita. Antes de conhecer o teor da gravação é impossível dar qualquer parecer, esclareceu.
O advogado diz ter estranhado a decretação da prisão preventiva dos policiais. Argumenta que eles têm residência fixa e conhecida, trabalho e apresentam conduta adequada. É um excesso que me faz acreditar que o tratamento está sendo diferenciado por se tratar de policiais civis, afirma. O advogado de defesa diz temer que os policiais sejam usados como bodes expiatórios.
O caso teve início com a apreensão de um veículo Gol, de Elizabeth Machado. O Gol seria roubado e estaria com chassis remarcado. Segundo ela, os policiais exigiram R$ 4 mil para não indiciá-la em inquérito. O carro foi encaminhado ao Instituto de Criminalística para análise. São dois problemas diferentes. Um é a acusação de extorsão e outro o fato da empresária estar de posse de um veículo roubado e adulterado. Os dois crimes serão investigados, esclareceu o delegado Acácio de Azevedo.


