Fita pode esclarecer crimes em Tamandaré
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terça-feira, 25 de junho de 2002
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado criminalista Osmann de Oliveira, que defende o policial militar Juarez Silvestre um dos acusados de participação nas mortes de mulheres em Almirante Tamandaré , quer que o Ministério Público analise uma fita cassete que conteria declarações e conversas reservadas de pessoas confessando envolvimento no assassinato do empresário Miguel Siqueira Donha, de 51 anos, morto no dia 22 de janeiro de 2000. Ele protocolou uma petição nesse sentido na Justiça.
A fita teria sido gravada por um amigo de Silvestre num bar de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Várias vozes são ouvidas na fita cassete. As pessoas contariam em detalhes os motivos do assassinato de Donha e apontariam os nomes dos supostos envolvidos entre eles, políticos de destaque na região. Donha era diretor da Corretora Banestado e presidente do diretório municipal do PPS (Partido Popular Socialista) de Almirante Tamandaré.
Oliveira pede para que o Ministério Público estadual colha o depoimento de Silvestre, ouvindo a fita. O policial militar poderia identificar todas as vozes que foram gravadas. Após a oitiva, o advogado sugere ainda que o Instituto de Criminalística analise a gravação e ateste a autenticidade da fita. São fatos importantes para revelar os verdadeiros integrantes da quadrilha que matou Donha e uma série de outras pessoas em Almirante Tamandaré, declarou.
O advogado não quis adiantar o conteúdo da fita, nem os detalhes da gravação. Ele quer que antes a mesma seja analisada pelo Ministério Público. Muita gente morreu por causa desta fita. Por razões éticas, só vou revelar o conteúdo dela depois da oitiva com meu cliente, complementou.
Miguel e Iara Donha foram sequestrados por dois homens armados na madrugada de 22 de janeiro de 2000. Eles foram obrigados a entrar dentro de um carro e seguir em direção a Itaperuçu, também município da região metropolitana. No caminho, os supostos assaltantes fizeram duas ligações de telefones públicos, conforme apurou a polícia. Iara foi deixada antes de Miguel, que teve que seguir viagem até o município vizinho. Ao descer, ele levou um tiro na perna e morreu por hemorragia.
No dia 14 de fevereiro, Edson Farias se apresentou como sendo o autor do assassinato de Donha. Ele confessou que foi contratado por Antonio Martins Vidal, o Tico (na ocasião guardião de uma escola municipal), para dar um susto no empresário. Ele receberia como pagamento R$ 300,00 e um emprego na Prefeitura Municipal. Tico foi preso, mas as investigações não sustentaram sua prisão. Agora, ele é citado como um dos integrantes da quadrilha que matava mulheres em Almirante Tamandaré. Edson Farias conseguiu fugir da cadeia de Rio Branco do Sul, município vizinho, no dia 30 de julho de 2000, numa viatura policial. Atualmente, nenhum dos acusados do crime está preso.


