Durante a assembléia, o presidente da sindicato dos policiais, Luiz Bordenowski, divulgou uma gravação de telefonema em que teria recebido oferta de suborno para convencer a categoria a não entrar em greve. Na gravação, feita em fita cassete, um homem, até agora não identificado, oferece inicialmente R$ 50 mil.
‘‘As pessoas me autorizaram (a fazer a proposta)’’, afirma o homem, em um trecho da conversa, ouvida pela Folha. Ele diz que entregaria o dinheiro no local escolhido pelo sindicalista. Diante da hesitação de Bordenowski, que considera o valor baixo, o homem diz que entregaria outros R$ 50 mil na segunda-feira.
Quando o sindicalista pede um tempo para pensar na proposta, o interlocutor afirma: ‘‘Você está dando uma de otário, de mártir, defendendo pessoas que nem conhece. Depois, você pode contar com a gente para o que der e vier.’’ Ao ser questionado se era policial, ele responde que não. Segundo Bordenowski, a conversa telefônica teve quatro testemunhas.
Além dessa suposta oferta de propina, o sindicalista disse que recebeu vários telefonemas com ameaças, também de pessoas não identificadas, e ligações de dois delegados, que tentaram convencê-lo a desistir da greve.
Mesmo sem falar claramente, Bordenowski atribuiu a tentativa de suborno ao governo estadual que, na sua opinião, estaria tentando conter o movimento para não prejudicar o candidato do PFL à Prefeitura de Curitiba, Cassio Taniguchi. ‘‘Isso caracteriza crime eleitoral. Vou encaminhar a fita à Polícia Federal, que apura crimes eleitorais’’, declarou. (V.D.)

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