MEDIDA EMERGENCIAL Fissurados serão atendidos na UEL Telma Elorza De Londrina Os cerca de 150 pacientes de Londrina do Centro de Atendimento Especializado aos Portadores de Lesões Labiopalatais, Centrinho, que tinham consultas agendadas com o ortodontista do Hospital de Reabilitação das Anomalias Crânio-Faciais de Bauru (SP) no período de 13 a 17 de março, vão receber o atendimento na clínica odontológica do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A garantia foi dada ontem pelo vice-reitor Márcio Almeida, em uma reunião com membros da ex-diretoria da Associação de Fissurados de Londrina (Afilon), mantenedora da entidade. A secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, também participou da reunião. Segundo o advogado da Afilon, Wilson Sella, após a retirada dos equipamentos odontológicos da sede da entidade a mando da Justiça trabalhista, os pacientes corriam risco de ficar sem este atendimento pré e pós-cirúrgico. ‘‘Com esta ajuda, o ortodontista vai poder atender estes pacientes em caráter emergencial e os que já tinham cirurgia marcadas não perderão a oportunidade’’, explicou. Na reunião foram discutidos também a possibilidade da UEL ajudar no tratamento odontológico dos pacientes. ‘‘O vice-reitor ficou de estudar a disponibilidade de ceder um equipo odontológico para que o trabalho, que será agora coordenado pela Ação Social, não pare’’, disse. Após o Carnaval, Márcio Almeida também vai se reunir com representantes do CCS para estudar uma participação maior da universidade. Na reunião também ficou decidido que, como o convênio com a Afilon terá que ser cancelado pela sua extinção, um novo contrato de gestão deverá ser feito entre a Secretaria de Ação Social e o Centro de Promoção do Menor Nossa Senhora das Graças, mantenedora da Creche Nícia Rocha Cabral, do conjunto Cafezal 1. Através deste contrato, o Centro de Promoção irá receber cerca de R$ 4 mil – antes destinados à Afilon – para dar continuidade a alguns serviços. ‘‘Apesar da UEL ter colocado seu equipo para este atendimento emergencial, será preciso comprar brocas, bisturis, amálgama, luvas e outros materiais odontológicos que são muito caros’’, explicou o advogado. A presidente do Centro de Promoção do Menor, Josefina Santos Vieira da Silva, a tia Josi, é cunhada do ex-presidente da Afilon Carlos Colognhezi, e um dos oito membros renumerados do Conselho de Administração da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Segundo Sella, isto, porém, não influenciou a decisão de repassar o convênio para a entidade. ‘‘O Centro foi a primeira entidade a se dispor a nos ajudar’’, afirmou. Segundo Josefina da Silva, o fato de ter um sobrinho fissurado a fez compreender a situação e querer dar seu apoio. ‘‘E isto ainda não está acertado definitivamente. Tudo terá que ser submetido a aprovação de uma assembléia da diretoria do Centro’’, justificou. Móveis e arquivos do Centrinho também serão guardados em um barracão da Creche Nícia Rocha Cabral. Ali, porém, não serão feitos atendimentos aos pacientes. ‘‘A secretária de Ação Social está coordenando as negociações para que os atendimentos sejam feitos pela rede pública que a cidade já dispõe, e ‘costurando’ reuniões nossas com o secretário Municipal da Saúde (Agajan Der Bedrossian), com representantes da Secretaria de Estado da Saúde e Associação dos Municípios’’, explicou Sella. A secretária de Ação Social fez questão de ressaltar o fato de ter sido extinta apenas a Afilon, não o Centrinho. ‘‘Podemos repassar os recursos para qualquer outra entidade que dê continuidade aos trabalhos desenvolvidos pelo Centrinho. E a Creche, cujo estatuto permite apoio assistencial à crianças de 0 a 14 anos, foi a entidade que se dispôs a prestar este serviço enquanto não resolvemos definitivamente a questão’’, explicou. A secretária disse que estão sendo feitos todos os esforços para que o trabalho do Centrinho não seja interrompido. ‘‘Estamos buscando alternativas e uma delas pode ser o desmembramento da área assistencial com a da saúde. A centralização de serviços, apesar de cômoda, é muito onerosa’’, explicou.

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