Fisioterapeuta vence falta de visão e trabalha
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
Da Redação 
Em junho de 1993, o automóvel de José Giuliangeli de Castro teve um problema de partida no centro de Londrina. Ele o empurrou na descida, para tentar fazê-lo pegar no tranco. Em um cruzamento preferencial, para não atropelar um ciclista, ele bateu o carro em uma árvore. Como não estava usando o cinto de segurança, José de Castro foi jogado com violência contra o pára-brisa e teve seus dois olhos perfurados de maneira irrecuperável.
Daí para frente, foi como nascer de novo, e cego. Tive que reaprender a viver e readaptar-me às atividades mais comuns do dia-a-dia. Andar de bengala, ler pelo método braile, não enxergar nada. Tudo isto é muito difícil, mas tomei esta nova situação como um estímulo e um desafio a ser superado, comenta. Na época do acidente, ele estava no segundo ano de Fisioterapia na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Apesar das enormes dificuldades, ele não desistiu de seus objetivos. Depois de tratamentos médicos e adaptado à nova condição de deficiente visual, ele voltou ao trabalho e aos estudos. No HU, passou a desempenhar a função de operador na câmara escura, onde são revelados os exames de Raios X. No curso de Fisioterapia, passou a estudar pelo método braile ou através de gravações em fita K-7 das aulas.
Em consequência de sua abnegação e força de vontade, as vitórias foram se sucedendo. Casou-se com a psicóloga Carolina Espíndola e tem dois filhos, gêmeos. Em 1996, formou-se fisioterapeuta pela UEL. Em janeiro deste ano, começou a atuar em sua nova profissão, atendendo todas as manhãs no Posto de Saúde Municipal da Vila Oliveira, em Rolândia, onde reside com a família. Todas as tardes ele vem sozinho de ônibus para o HU de Londrina, onde trabalha das 17 às 23 horas.
Não dá para eu fazer tudo normalmente; é lógico que tenho as limitações impostas pela falta de visão. Mas, apesar disso, desempenho plenamente minha profissão, o que me deixa muito feliz. Quando chego em um ponto onde me deparo com a dificuldade imposta pela deficiência, encaminho o paciente a outros profissionais. É normal e não me sinto frustrado, explica José de Castro. O que me dá mais força é o fato de não ter sido discriminado na Secretaria de Saúde de Rolândia. Apesar de todo preconceito social existente em nosso País, aqui não me rotularam como um cego incapaz; e me deram condições de trabalhar e ser útil à sociedade, notadamente às pessoas mais humildes.


