Fisioterapeuta usa o trabalho para superar tragédia
Dedicação ao trabalho voluntário foi a forma que a fisioterapeuta Helaine Cristina Herrero encontrou para superar a morte da filha Flávia Cristina, que aos oito anos caiu da sacada do apartamento em que a família morava, na zona oeste de Londrina. Flávia se desequilibrou quando tentava passar da janela do seu quarto para a sacada.
Três meses após a tragédia, Helaine criou, junto com a amiga fonoaudióloga Karina Oliveira Souza, o Centro de Vivência, Integração e Potencialidade (Vipe). O centro foi construído pela Associação Flávia Cristina, da qual Helaine é presidente. A entidade trabalha com crianças que têm problemas físicos e mentais.
Atualmente, 20 crianças recebem atendimento totalmente gratuito e outras cinco aguardam vagas. O trabalho é feito por duas fisioterapeutas, três fonoaudiólogas, uma psicóloga, uma assistente social, três pedagogas e uma secretária, que é a única remunerada.
Eu e Karina já trabalhávamos no Instituto dos Cegos e sentíamos a necessidade de um local que atendesse crianças com deficiência física e mental. Após passar por um problema muito sério, a vontade de fazer algo que conciliasse meu trabalho com minha experiência de mãe se tornou mais forte, conta Helaine.
Ela ressalta que soube direcionar a dor que sentia pela perda da filha. O caminho que encontrei foi o trabalho com amor, dedicação, doação. Helaine observa que a iniciativa recebeu apoio de parentes, amigos, profissionais e comunidade. Ela tem uma clínica, onde atende pacientes particulares. Mas confessa que passa a maior parte do tempo no Centro, onde fica algumas horas da manhã e no período da tarde. A melhor terapia para superar uma tragédia é o trabalho. Aqui a gente tem que estar forte para poder ajudar os outros.





