Físico localiza pára-raio radioativo
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quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
Marcos NegriniProfessor Nilson Lopes e o dono do ferro-velho, Carlos Eidam, com o pára-raio encontrado no lixão
O professor Nilson Lopes, do Departamento de Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM), localizou ontem em um ferro-velho, um pára-raio radioativo encontrado no lixão da cidade. Ele faz parte da Comissão de Rejeitos Radioativos da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) e alerta para o risco de acidentes com pára-raios radioativos, que são trocados desde 1982 por aparelhos comuns, do tipo Franklin.
Os pára-raios radioativos, segundo Lopes, apresentam baixo risco de contaminação, mas podem causar danos à saúde da pessoa em caso de manipulação. O aparelho da marca Amerion, o mais utilizado, é formado por uma haste e três lâminas, que possuem em média sete pontos com material radioativo, o amerício 24 sólido. O amerício, explica Lopes, emite raios X e partículos alfa a curta distância.
Ele diz que a partir de 1982, quando a CNEN proibiu a fabricação do pára-raio radioativo, várias empresas e condomínios passaram a substituir o aparelho pelo modelo comum. Não discuto a eficácia de cada tipo de pára-raio, apenas estamos alertando sobre a destinação dos radioativos, deixa claro Lopes.
Como as empresas que fazem a troca ou mesmo o proprietário do imóvel não têm noção dos riscos, acabam jogando o aparelho no lixo. O correto, segundo Lopes, é acionar os representantes da CNEN. Na UEM, onde o professor trabalha, já existem 25 pára-raios radioativos.
Ontem Lopes fez a medição do aparelho recolhido no ferro-velho, que acusa em torno de 20 mili R a curta distância. O limite para o ser humano é de 2,5 mili R/hora. Caso a pessoa desmonte uma das lâminas com o amerício e coloque no bolso, vai receber uma taxa quase 10 vezes maior que o tolerável, explicou. Em caso de contaminação, a área em contato com o material radioativo vai apresentar irritação e pode ocorrer o desenvolvimento de ulcerações.
O alerta sobre a destinação correta dos pára-raios radioativos se deve, segundo Lopes, às condições que o aparelho foi encontrado em Maringá. O dono do ferro-velho, Carlos Guido Eidan, diz que encontrou o pára-raio em um lote de sucata. Como o aparelho tem o alerta sobre os perigos de contaminação, ele acionou o CNEN, que indicou o professor Lopes.


