Físico explica números da natureza
Israel Reinstein
De Curitiba
O ato da abelha sair em busca de alimentos não é somente instintivo, mas também matemático. Segundo um estudo publicado na revista americana Nature, no final de outubro, insetos, aves e mamíferos pensam matematicamente, ainda que inconsciente, quando exploram novos territórios na procura de comida. O animal segue um padrão, que otimiza a busca de alimentos, afirma o físico Marcos da Luz, da Universidade Federal do Paraná, que desenvolveu o estudo, em conjunto com professores da UFAL, UFPE, Boston University (EUA) e Bar-Ilan University (Israel).
Luz explica que o trabalho foi desenvolvido baseado no comportamento de abelhas, albatrozes e veado campestre. Com informações coletadas pelos biólogos, começou-se a ver se havia alguma similaridade no ato dos animais, informa o professor.
O físico conta que o estudo, apoiado no conhecimento da mecânica estatística, identificou que a possibilidade de um bicho encontrar alimento é inversamente proporcional a distância em que ele percorre. Por isso, ele para a determinada distância e retoma a procura, após se alimentar e descansar, diz. Para o professor, essa atitude é um padrão que varia apenas conforme o porte do animal. Ele conta que já recebeu informação de pesquisador americano, informando que a baleia age desta maneira.
Nós, seres humanos, descobrimos muitas coisas conscientemente, a Matemática e a Física, por exemplo. Os animais, por outro lado, inconscientemente incorporam a solução de problemas ao longo de períodos de milhões de anos, via mecanismos de evolução e seleção natural, diz o professor. Um outro exemplo disso, é a construção de favos de mel.
Além da área de ecologia, Luz acredita que a descoberta desta pode trazer contribuições também em setores onde a busca eficiente por objetos é importante, como computação, sensoriamento remoto e mineralogia. O professor graduou-se pela UFPR, fez doutorado em Física pela Unicamp e pós-doutorado na Harvard University, nos EUA.





