Físico aproxima ciência e religião
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Mauro FrassonMarcelo Gleiser: Ninguém vai fazer uma segunda edição do Gênesis, contrariando aquilo que já está escrito na BíbliaCientista geralmente não gosta de falar de religião, mas o físico brasileiro Marcelo Gleiser é uma exceção à regra. Ele esteve ontem em Curitiba para o lançamento de seu livro A Dança do Universo - Dos Mitos de Criação ao Big-Bang.
A obra traz, em 434 páginas e linguagem acessível ao público em geral, um relato histórico de mitos de criação e de teorias cosmológicas sobre a origem do universo. O autor compara os enfoques científicos e religiosos, mostrando suas semelhanças e diferenças. Tanto os mitos de criação como as idéias da cosmologia moderna trazem, no esqueleto, possibilidades semelhantes para o início do universo, observa Marcelo Gleiser.
Pessoalmente, ele prefere a teoria do Big-Bang - que defende a criação do universo a partir de uma sopa cósmica e a interação entre as partículas. Apesar disso, ele lembra que as leis da Física deixam de fazer sentido próximo do início. Segundo a teoria mais aceita entre os astrônomos, o universo teria 15 bilhões de anos.
Para ele, a grande diferença entre ciência e mito é que os cientistas têm a capacidade de selecionar o certo e o errado, enquanto os mitos representam uma verdade absoluta para a cultura que o criou. Ninguém vai fazer uma segunda edição do Gênesis, contrariando aquilo que já está escrito na Bíblia, exemplifica.
Atualmente, o físico brasileiro está concentrado em uma pesquisa sobre a origem da matéria presente no universo. De acordo com as leis da Física, para cada partícula de matéria deveria existir uma de anti-matéria (com a carga elétrica invertida). Estamos tentando descobrir qual foi o mecanismo de seleção, na infância do universo, que permitiu o surgimento de mais matéria que anti-matéria, explica Gleiser.
Sobre a existência de vida fora da Terra, ele não tem dúvidas: A Via Láctea tem 400 bilhões de estrelas e o Sol é apenas uma delas. A probabilidade (de existência de vida extraterrestre) é tão alta que é praticamente impossível que só exista vida em nosso planeta.
Marcelo Gleiser nasceu no Rio de Janeiro, é formado em Física pela PUC e tem doutorado pelo Kings College, na Inglaterra. Hoje, dá aulas de Física e Astronomia na Universidade Dartmouth College, nos Estados Unidos. Para o desenvolvimento de pesquisas, ele recebeu bolsas da National Science Foundation, da Nasa e da Otan. O livro A Dança do Universo, publicado pela Companhia das Letras, custa R$ 25,00.


