Fiscalização parcial permite despejo de entulho em terreno
Silvana Leão
De Londrina
O uso de terrenos baldios e áreas aparentemente sem função para depósito de lixo é um problema visível em vários pontos da cidade, inclusive próximos ao centro. Em uma destas áreas, na continuação da Rua Itajaí (Vila Nova), a sujeira é antiga e até já foi tema de outra reportagem. Há anos o local recebe entulhos e animais mortos, despejados por uma população que teima em driblar a proibição da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
O local é uma espécie de rua não asfaltada que fica entre os estacionamentos das viações Ouro Branco e Jóia, e serve de passagem para vários pedestres, inclusive crianças. O trecho já fez parte de projeto de uma avenida ligando a Avenida Leste-Oeste ao Estádio do Café. O tempo caducou e a prefeitura não fez a obra.
Para amenizar o problema com os entulhos, a Comurb colocou ali um funcionário, que tenta, durante a manhã e até o início da tarde, coibir a ação dos carroceiros e moradores da região. Mas não é fácil, já que há duas saídas e o funcionário cumpre sozinho sua função.
Eu entro às 7h30 e saio por volta das 13h30. Enquanto estou aqui, converso com o pessoal e tento impedir que joguem as coisas. Mas o pessoal já sabe que à tarde não tem ninguém tomando conta e deixa para vir neste horário, diz Aparecido de Oliveira Bueno, contratado pela Comurb. Ele conta que, muitas vezes, está na parte de baixo do terreno e quando vê um carro na parte de cima jogando entulhos, não dá tempo de chegar perto para impedir a ação ou anotar as placas para notificar à Comurb.
Bueno acredita que uma forma de facilitar seu trabalho e atenuar a ação dos infratores seria fechar pelo menos o acesso que fica junto à Avenida Brasília. Para ele, a maioria das pessoas que jogam entulhos ali é formada por carroceiros, que pegam fretes na região e não têm como ir até a zona sul, onde está localizada a Usina de Moagem da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) para descarregar.
O funcionário trabalha no local há nove meses e afirma que, neste período, não foi feita nenhuma limpeza pela Comurb. Há uns três meses eu solicitei que mandassem o caminhão para levar o lixo, mas me disseram que o maquinário de recolher entulho (pá-carregadeira) estava quebrado. Outro dia vieram testar o equipamento aqui e disseram que voltam dentro de alguns dias.
Segundo Humberto Rodrigues de Lima, diretor de manutenção e serviços da Comurb, a solução para o local é difícil porque o município não tem como manter funcionários ali o tempo todo. Ao mesmo tempo, não pode deixar que a população continue jogando entulhos em toda a parte. Nós estamos tentando coibir e pedindo que as pessoas, ao verem este tipo de coisa, liguem para o setor de fiscalização, através do número 156, afirma Lima.
Ele critica o comportamento de carreteiros. Eles recebem para dar uma destinação correta ao entulho e para economizar jogam em qualquer lugar, obrigando o poder público a complementar o serviço.
Na semana passada, a Folha publicou matéria sobre queixa de empresas especializadas em transporte de entulho, dizendo que além de longe, o local público determinado para este fim nem sempre está recebendo o material. Depois que a reportagem da Folha esteve na Rua Itajaí, na semana passada, funcionários da Comurb estiveram no local. Mas o entulho ainda não foi removido.





