Fiscalização nos portos é frágil, diz PF
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sábado, 07 de fevereiro de 2009
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ao comandar a operação que apreendeu as quase quatro toneladas de cocaína no Porto de Paranaguá (Litoral), o delegado da Polícia Federal, Wagner Mesquita de Oliveira, reconheceu que a grande quantidade de droga enviada para exterior mostra a fragilidade do sistema de fiscalização. ''Não acontece só em Paranaguá, mas em outros portos também. O Porto de Paranaguá é rota para o tráfico internacional assim como os outros'', disse. A apreensão, a segunda maior da história do país, foi realizada anteontem e ontem à tarde a droga foi incinerada.
De acordo com Oliveira, a fiscalização de grandes cargas em Paranaguá é feita por amostragem. Além disso, não existem equipes para fiscalizar tudo o que o porto movimenta. ''É impossível que seja fiscalizado tudo sem prejudicar o comércio e a agenda internacional de exportação'', diz.
Segundo o delegado, a carga apreendida passou pelo raio-X, mas a droga não foi identificada devido a semelhança da densidade entre os tijolos de cocaína e da madeira. ''A documentação da carga estava correta, como se fosse madeira. O material é que era falso'', informou Oliveira.
A fiscalização do que passa pelo porto fica a cargo da Polícia Federal, da Receita Federal, entre outros órgãos federais. A estimativa é de que, por mês, cerca de mil contêineres são abertos no porto para fiscalização.
Um inquérito policial foi aberto em Paranaguá para identificar os autores e a rota dos 3.778 quilos de cocaína apreendidos no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TPC). De acordo com delegados encarregados do caso, ainda é cedo para falar de responsabilidade criminal. Até agora, ninguém foi preso.
Além de buscar o dono da carga, a polícia investiga também o fluxo financeiro da droga e quanto de dinheiro iria movimentar se chegasse a seu destino final, a Romênia, no leste europeu. A estimativa é de que carga de cocaína pura poderia se transformar em até 800 milhões de euros.
A droga chegou à Superintendência Regional da PF por volta das 10 horas de ontem, escoltados por viaturas das polícias Federal e Militar. Depois da autorização da Justiça e do Ministério Público (MP), a droga foi incinerada, na tarde de ontem, em uma empresa de cimentos em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Parte da droga foi separada para análise. O objetivo é identificar origem da cocaína, embora a polícia desconfie que grande parte venha da Colômbia.
A droga estava separada em tijolos de um quilo, seguindo o padrão do tráfico internacional. Os pacotes estavam prensados dentro de um carregamento de madeira. A polícia chegou à carga depois de um contato da Interpol. Na sexta-feira, 1,2 tonelada de cocaína foi apreendida na Romênia, tendo saído do Porto de Paranaguá. Um carregamento semelhante chamou a atenção da polícia brasileira, que passou a investigar o caso. A droga estava separada em cinco contêineres.
De acordo com o delegado Oliveira, a exportadora, com sede em São Paulo, e a frabricante da madeira são empresas diferentes. Segundo ele, a empresa investigada exporta madeira há dois anos para diferentes países, tendo inclusive a Romênia na rota. Ele ainda não sabe se a droga foi aglutinada no Brasil ou em países vizinhos, mas há indícios de que ela chegou ao País de formas diferentes.


