Fiscalização de produtos vai mudar
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de julho de 1997
Da Redação 
O Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde vem tentando implantar, desde o início do ano, o programa de controle da venda de cola de sapateiro nas 23 regionais de saúde no Paraná. Os principais objetivos já foram parcialmente alcançados nas maiores cidades - Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu - mas o projeto tem dificuldades para se estruturar nas demais regiões, notadamente em consequência da falta de pessoal nas secretarias municipais de saúde.
A avaliação é da assistente social Maria Aparecida Paleari Silva, funcionária da Vigilância Sanitária Estadual e responsável pelo programa de controle da comercialização de cola. Um primeiro balanço dos resultados e uma avaliação mais aprofundada serão feitos durante reunião estadual em agosto, mas já dá para sentir que houve avanços, apesar das dificuldades e dos poucos recursos para a execução do projeto, comenta.
De acordo com Maria Silva, o projeto ainda encontra-se em fase de implantação e certamente sofrerá alterações, a partir da avaliação prevista para o próximo mês. Além da falta de pessoal para a fiscalização de campo, notamos que a maioria dos revendedores de cola nas pequenas cidades - sapateiros, tapeceiros e artesãos - é formada por semi-analfabetos, que têm dificuldades para o preenchimento do balancete mensal exigido, o qual seria a nossa grande arma no controle do movimento do produto no Estado, afirma a sanitarista.
Ela se diz preocupada com a falta de sensibilidade das autoridades de muitos municípios, que alegam a falta de pessoal e de recursos para não aderir ao programa de controle. É necessário compreender que o combate ao uso de cola pode evitar males maiores, com a futura ida dos usuários para drogas mais pesadas e perigosas. A cola, infelizmente, é apenas a porta de entrada para o mundo das drogas, normalmente sem volta, ressalta Maria Aparecida Silva.
Na opinião dela, falta também um maior rigor das autoridades policiais no combate ao uso de cola. O pessoal da segurança pública deveria executar uma repressão mais rígida contra os usuários. Porque sabemos que nem sempre eles conseguem a cola no comércio legal, mas sim através de repassadores, comenta a assistente social.
Por outro lado, é preciso entender que estamos tratando da consequência de um problema social, e não combatendo a causa, o que seria mais indicado. É preciso que os governos e a sociedade tenham claro que os menores consomem a cola e outras drogas em consequência da crise social, da falta de escola, de estrutura familiar, e de comida em casa, analisa Maria Silva. A causa é o abandono das crianças. A Vigilância Sanitária, dentro de suas atribuições e com os parcos recursos disponíveis, está fazendo uma pequena parte, que é tentar controlar o comércio da cola e dificultar o uso abusivo da droga por menores.
(Osmani Costa)


