O Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde vem tentando implantar, desde o início do ano, o programa de controle da venda de cola de sapateiro nas 23 regionais de saúde no Paraná. Os principais objetivos já foram parcialmente alcançados nas maiores cidades - Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu - mas o projeto tem dificuldades para se estruturar nas demais regiões, notadamente em consequência da falta de pessoal nas secretarias municipais de saúde.
A avaliação é da assistente social Maria Aparecida Paleari Silva, funcionária da Vigilância Sanitária Estadual e responsável pelo programa de controle da comercialização de cola. ‘‘Um primeiro balanço dos resultados e uma avaliação mais aprofundada serão feitos durante reunião estadual em agosto, mas já dá para sentir que houve avanços, apesar das dificuldades e dos poucos recursos para a execução do projeto’’, comenta.
De acordo com Maria Silva, o projeto ainda encontra-se em fase de implantação e certamente sofrerá alterações, a partir da avaliação prevista para o próximo mês. ‘‘Além da falta de pessoal para a fiscalização de campo, notamos que a maioria dos revendedores de cola nas pequenas cidades - sapateiros, tapeceiros e artesãos - é formada por semi-analfabetos, que têm dificuldades para o preenchimento do balancete mensal exigido, o qual seria a nossa grande arma no controle do movimento do produto no Estado’’, afirma a sanitarista.
Ela se diz preocupada com a falta de sensibilidade das autoridades de muitos municípios, que alegam a falta de pessoal e de recursos para não aderir ao programa de controle. ‘‘É necessário compreender que o combate ao uso de cola pode evitar males maiores, com a futura ida dos usuários para drogas mais pesadas e perigosas. A cola, infelizmente, é apenas a porta de entrada para o mundo das drogas, normalmente sem volta’’, ressalta Maria Aparecida Silva.
Na opinião dela, falta também um maior rigor das autoridades policiais no combate ao uso de cola. ‘‘O pessoal da segurança pública deveria executar uma repressão mais rígida contra os usuários. Porque sabemos que nem sempre eles conseguem a cola no comércio legal, mas sim através de repassadores’’, comenta a assistente social.
‘‘Por outro lado, é preciso entender que estamos tratando da consequência de um problema social, e não combatendo a causa, o que seria mais indicado. É preciso que os governos e a sociedade tenham claro que os menores consomem a cola e outras drogas em consequência da crise social, da falta de escola, de estrutura familiar, e de comida em casa’’, analisa Maria Silva. ‘‘A causa é o abandono das crianças. A Vigilância Sanitária, dentro de suas atribuições e com os parcos recursos disponíveis, está fazendo uma pequena parte, que é tentar controlar o comércio da cola e dificultar o uso abusivo da droga por menores.’’
(Osmani Costa)

mockup