Medianeira Apesar das represálias e de ter anunciado redução de 80% no volume do contrabando nas últimas semanas, a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal (RF) não vão dar trégua aos sacoleiros de várias regiões do País que ganham a vida comprando produtos em Ciudad del Este, cidade paraguaia vizinha a Foz do Iguaçu.
A Operação Cataratas instalada pela RF e apoiada pela PF na região da fronteira no dia 8 deve ser intensificada até o final do ano (período em que o pólo comercial mais fatura). A medida será tomada mesmo após os distúrbios da semana passada, quando a Ponte da Amizade, única ligação entre as duas cidades, foi fechada durante 107 horas por ambulantes, taxistas e comerciantes com a suposta conivência de autoridades das três esferas da administração pública paraguaia.
O clima continua tenso no Extremo-Oeste do Estado. Depois do movimento voltar ao normal na sexta-feira, quando os manifestantes liberaram o tráfego depois de um acordo com a intendência (prefeitura) e com o governo do departamento (equivalente a estado), os dois órgãos voltaram a enfrentar forte resistência à operação.
Na noite de sábado, um grupo de pelo menos 600 sacoleiros fez um protesto violento no posto de fiscalização de Medianeira (58 km ao norte de Foz do Iguaçu), localizado na BR-277. Eles atearam fogo em quatro ônibus que estavam retidos no pátio da unidade e depredaram outros três. Os veículos haviam sido apreendidos em blitze anteriores.
A PF deve instaurar inquérito e a RF também fará um procedimento administrativo para apurar quem são os responsáveis pelo ato de vandalismo. Devem ser solicitadas imagens captadas por câmeras instaladas no posto. Apenas uma pessoa foi presa em flagrante.
Muitos motoristas de ônibus aproveitaram a confusão para ir embora sem passar pela fiscalização. A RF estima que em dias de movimento normal são contrabandeados cerca de US$ 5 milhões em mercadorias, principalmente cigarro, brinquedos e equipamentos de informática.
O quebra-quebra começou quando um comboio de 258 ônibus os sacoleiros usam o expediente para tentar burlar a fiscalização passava pelo posto. De acordo com a Receita, dos 29 ônibus que foram parados, 26 escaparam durante o tumulto. Segundo os bombeiros, eles foram impedidos pelos sacoleiros de apagar o fogo e só puderam trabalhar com a chegada da polícia ao local. Segundo o delegado da Receita Federal, José Carlos de Araújo, o prédio sofreu poucos danos. A PF ampliou o efetivo no posto para inibir novas ações esta semana.
''A ação na noite de sábado foi premeditada. Antes de atear fogo, eles retiraram pneus e caixas de cigarro de ônibus que estavam no comboio e jogaram estes objetos para dentro dos ônibus estacionados com o objetivo de alimentar as chamas'', contou Araújo, que afirmou que todos os 258 ônibus do comboio ''continham contrabando''.

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