Douglas Hugo de Oliveira, 17 anos, está contente com o seu trabalho, mas teme que dentro de alguns dias não tenha mais o emprego. Ele é um dos 222 adolescentes que trabalham como fiscais da Zona Azul em Londrina, atividade que está sendo considerada insalubre e perigosa pela Procuradoria Regional do Trabalho do Paraná e corre o risco de ser extinta.
‘‘Se o trabalho acabar vai ser pior. Em vez de tirar os meninos da Zona Azul, deveriam se preocupar em dar mais segurança para nós’’, avalia o jovem, que cursa o primeiro ano do segundo grau numa escola pública em Londrina.
Filho de pais separados, ele mora com a mãe, um irmão de 11 anos e com os avós maternos, que não recebem aposentadoria. Douglas diz que cerca de 80% do que ganha, um salário mínimo por mês, é entregue à mãe, que é cabeleireira. O dinheiro é usado no orçamento doméstico para pagar despesas como contas de água e luz. ‘‘Sem esse dinheiro, poderíamos passar por dificuldades’’, afirma Douglas.
Além do salário, o jovem também tem direito a passe livre para utilizar o transporte coletivo e ainda almoça, todo os dias, na sede da Epesmel. Como trabalha com registro em carteira, o fiscal tem direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, férias e 13º salário.
Caso a sua atividade seja realmente considerada imprópria para sua idade, coisa que ele não concorda, Douglas acha que será muito difícil conseguir uma nova colocação no mercado de trabalho, mantendo todos os benefícios oferecidos pela Epesmel. ‘‘Será bem difícil arrumar um emprego de quatro horas que pague um salário mínimo e essas outras coisas.’’ Outro agravante para sua idade é que muitos empresários são reticentes em contratar adolescentes com a idade de 17 anos, já que estão em época de serviço militar obrigatório e podem ter de deixar a empresa caso sejam convocados pelas Forças Armadas.
O futuro de Douglas poderá ser decidido terça-feira, quando a presidência da Epesmel se reúne com a Procuradoria Regional do Trabalho, em Curitiba, para discutir o problema da atuação dos adolescentes como fiscais da Zona Azul. ‘‘Se esse trabalho acabar, acaba também a escola oficina’’, diz o jovem, acrescentando que tem vários primos que passaram pela entidade e hoje possuem uma profissão.

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