Londrina
O fiscal da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) Lorival Neves dos Santos prestou depoimento ontem pela manhã na Delegacia de Cambé e negou qualquer envolvimento no assassinato do agricultor russo Kusma Ovichinnikov, 36 anos, e de seu filho Sava, 2 anos e meio, ocorrido na última quinta-feira. O crime aconteceu por volta das 21h30, no pontilhão do trevo de Cambé, na rodovia PR-445. Ovichinnikov morava há três anos em Primavera do Leste (MT). Veio a Londrina com a mulher o filho para comprar um caminhão.
Segundo o delegado Nasser Salmen, que preside o inquérito, o fiscal da Comurb manteve contato com o agricultor, pelo telefone celular, no dia do crime. O nome de Santos também estava relacionado na agenda do russo. A ligação, registrada na memória do celular de Ovichinnikov, foi feita por volta das 14 horas, segundo informou o fiscal da Comurb. ‘‘Ele me ligou querendo saber do Jairton’’, contou o fiscal, referindo-se ao comerciante que intermediaria a venda do caminhão.
O comerciante Jairton da Silva Aleixo, 37 anos, teve prisão temporária decretada na última sexta-feira, sob acusação de participar do assassinato. Ele foi reconhecido pela viúva do russo, Evdokia Ovchi, 34 anos, que presenciou a morte do marido e do filho. O carro usado por Jairton para chegar até o local onde seria feita a venda do caminhão, uma Quantum verde, placa ALO 3913, de Porecatu, de propriedade do comerciante, também foi apreendida no último sábado.
Durante o depoimento, o fiscal da Comurb disse que não conhecia o agricultor. Contou que foi procurado pelo russo, que havia obtido seu telefone por meio de um conhecido que mora em Ponta Grossa. Como Ovichinnikov queria comprar um caminhão, Santos informou que só vendia carros de passeio e passou o cliente para Jairton, que também atua na ‘‘pedra’’ (local onde há comércio de veículos usados) e vende caminhões. ‘‘Nunca mais tive contato com o russo. Só na quinta-feira, quando ele me ligou querendo saber do Jairton’’, afirmou o fiscal.
Lorival Santos foi contratado temporariamente para trabalhar como fiscal no Terminal Urbano de Transporte Coletivo - está cumprindo aviso prévio, pois a contratação foi considerada irregular - e também trabalha como corretor de veículos usados na ‘‘pedra’’. Ele afirmou que no dia do crime trabalhou até 22h30, apesar de ter batido o cartão-ponto uma hora antes. O horário a mais, explicou, foi para compensar a folga que teria no dia seguinte, quando permaneceu na ‘‘pedra’’. ‘‘Eu não estava foragido, como foi divulgado pela polícia.’’
O fiscal disse que nunca teve passagens pela polícia e que não possui arma. O delegado vai confirmar com a chefia do setor se o fiscal trabalhou mesmo até o horário informado. O crime aconteceu por volta de 21h30.
Salmen também esperava ouvir pela manhã o investigador da 10ª Subdivisão Policial, Jovacir Gonçalves, proprietário do caminhão Mercedes Benz 1935, ano 95, placa AER 9585, que seria vendido ao russo. O veículo foi apreendido no último sábado. O policial é dono da Transportadora Java, que funciona numa sala junto ao autoposto Gran Via (localizado na avenida Tiradentes), local onde seria efetuada a venda do caminhão.
O delegado Nasser Salmen afirmou ontem não ter mais dúvidas de que o comerciante Jairton da Silva Aleixo foi o mentor de toda ação. Salmen acredita que seria aplicada uma modalidade do ‘‘golpe do 3 por 1’’. Nesse caso, explica o delegado, a vítima seria assaltada antes de se concretizar a venda forjada do caminhão. O latrocínio acabou acontecendo, acredita o delegado, porque o agricultor, que estava com uma pistora 6.35, reagiu. Ele chegou a acionar o gatilho mas a cápsula não detonou.
O comerciante Jairton Silva Aleixo reafirmou ser inocente. Ele disse que, ao se encontrar com os compradores, que estavam perto do shopping Com-Tour, tentou manter contato com o dono do caminhão, o policial Jovacir Gonçalves, mas não o localizou. Depois, ao chegar com os russos no posto Gran Via, pediu que esperassem um pouco, enquanto tentava manter novo contato com o investigador. ‘‘Fui tentar falar com ele no plantão e quando voltei não encontrei mais ninguém’’, disse.
Segundo Jairton, momentos depois o investigador chegou de moto no posto, onde permaneceu por mais alguns minutos. ‘‘Só fiquei sabendo da morte do russo no dia seguinte, quando estava no meu local de trabalho’’, disse. Jairton é dono de uma empresa de móveis tubulares, localizada na avenida Duque de Caxias.
Jairton Aleixo já teve passagens pela polícia e responde a vários processos, segundo informou o delegado. Foi preso por receptação de veículo roubado, estelionato, falsificação de documentos e lesões corporais.

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