A delegacia do Ministério do Trabalho em Maringá tem a primeira ‘‘fiscal’’ no País da lei 8.213/91, que obriga as empresas da iniciativa privada a contratar deficientes físicos. Funcionária contratada, Andréia Luz, que também é deficiente física, está há quase um ano no cargo e já conseguiu colocar no mercado mais de mil pessoas com as mais variadas deficiências. ‘‘A preferência dos empresários é pelo surdo, mas a maior barreira é a falta de escolaridade e capacitação do pessoal disponível’’, revela Andréia.
O início do trabalho junto aos empresários de Maringá foi há mais de dois anos. Como diretora da Associação das Pessoas Deficientes de Maringá (Apedem), e membro do Centro de Vida Independente (CVI), ela passou a divulgar a lei junto a dirigentes de empresas da iniciativa privada. ‘‘A gente conseguia uma vaga aqui e outra ali’’, recorda. Com a oportunidade de fazer as visitas com o respaldo da delegacia do Ministério do Trabalho, a realidade mudou.
Andréia deixa claro que não faz o papel de fiscal, que cabe ao INSS. ‘‘Agendo uma visita e mostro ao empresário que a lei deve ser cumprida. Muitos, inclusive, desconheciam a obrigatoriedade’’. Pela lei, de 1991, as empresas com até 200 funcionários devem ter 2% de deficientes. A porcentagem vai até 5% para firmas com mais de mil empregados. ‘‘A maioria não se enquadra na lei. Mas não queremos pressionar ninguém’’, insiste Andréia.
Nem sempre a visita surte resultado de imediato. Adréia cita o caso de um frigorífico que contratou um deficiente auditivo e gostou tanto da experiência que já está com seis e pretende chegar a 12 funcionários surdos. Muitas vezes o deficiente também sente dificuldades em se adaptar ao ambiente ou ao serviço. ‘‘Aí entra o trabalho da Apedem e do CVI, que treinam o pessoal e mantêm um contato permanente com as empresas’’, explica.
Os que não possuem nem o 1º grau completo são orientados a voltar à escola. ‘‘Muitas vezes a empresa abre uma vaga e nós não temos quem mandar por falta de escolaridade’’, ressalta Andréia. A presidente da Apedem, Irene Firmino da Rocha, calcula que dos quase 1.500 deficientes cadastrados na entidade, 65% já foram encaminhadas graças ao trabalho de Andréia. ‘‘O restante não está empregado por falta de escolaridade ou de capacitação’’, justifica Irene.

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