Fiscal da Receita é preso por extorsão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de junho de 2002
Gilmar Agassi<BR>Equipe da Folha 
Cascavel - Uma tentativa de extorsão resultou na prisão do fiscal da Receita Estadual, Sérgio Cantelli, e do contador Luís Vitório, responsável pela articulação da trama. A prisão dos dois só foi possível porque a vítima acionou a polícia depois de marcar o horário em que seria entregue o dinheiro ao fiscal. O flagrante ocorreu anteontem na própria delegacia da Receita Estadual de Cascavel.
De acordo com a vítima, o advogado Augusto Felipini, há mais de dois anos ele vinha tentando dar baixa junto à Receita Estadual em uma firma em que era sócio. Ele acrescenta que há cerca de um ano, o contador Luís Vitório começou a lhe dizer que o problema só poderia ser resolvido, mediante o pagamento de R$ 1,2 mil a um fiscal.
Cansado da situação, Felipini entrou em contato com o contador dizendo aceitar o pagamento, porém com a diminuição do valor. Ao final da negociação, ficou acordado o pagamento de R$ 400,00. Depois de acertar horário e local para entrega do dinheiro, a vítima entrou em contato com o delegado Édson da Rosa, do 2º Distrito Policial, e o flagrante foi armado.
O responsável por levar o envelope com o dinheiro ao fiscal foi o filho da vítima, o empresário Fábio Felipini, que estava acompanhado do contador. Após entregar o dinheiro, Fábio acenou para os policiais que invadiram a sala do fiscal e encontraram o envelope com o dinheiro.
Os dois acusados foram encaminhados para o 2º Distrito Policial, onde permaneceram presos por sei horas. O contador e o fiscal foram liberados após pagarem uma fiança de R$ 1,5 mil cada. Ao saírem da delegacia, eles se negaram a conversar com a imprensa. O advogado dos acusados, Augusto Bittencourt, foi procurado diversas vezes pela reportagem, mas não respondeu aos telefonemas.
O delegado da Receita Estadual de Cascavel, César Konast, informou que, por enquanto, o fiscal Sérgio Cantelli permanecerá exercendo suas funções. Ele acrescentou que será aberto um processo administrativo para comprovar ou não a culpa do funcionário neste episódio.


