Três fiscais da Receita Estadual foram presos ontem, em Londrina, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), acusados por crime de concussão (exigência de vantagens indevidas por servidor público no exercício da função). De acordo com o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, a prisão foi realizada após a denúncia de um supermercadista da Zona Oeste do município que teria sido vítima dos fiscais.
O empresário teria relatado que, no ano passado, um dos acusados teria exigido R$ 3 mil e produtos alimentícios como cerveja e picanha para evitar a autuação do estabelecimento por irregularidades na arrecadação de impostos. O valor foi pago e os produtos foram entregues ao fiscal por um tempo.
Há poucas semanas, os outros dois fiscais teriam exigido R$ 50 mil para deixarem de realizar a autuação. Cansado das ameaças, o supermercadista procurou o Gaeco e denunciou o crime que, conforme explicou o promotor, se concretiza apenas pela exigência do pagamento, mesmo que a vítima não desembolse o valor pedido. ''Temos elementos probatórios muito fortes que comprovam o crime'', disse.
Essa foi a primeira vez que um empresário de Londrina procurou voluntariamente uma autoridade por estar cansado das ameaças, segundo o Gaeco. ''É emblemático e exemplar. Os empresários que são vítimas do mesmo problema devem seguir esse exemplo'', avaliou o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves.
A prisão temporária dos três acusados foi autorizada pela juíza da 5 Vara Criminal, Adriana Fernandes da Silva. Eles seriam ouvidos ontem à tarde, no Gaeco, e depois seriam encaminhados para o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). O delegado Alan Flore pretende pedir a prisão preventiva dos três quando terminar o inquérito policial.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a Receita Estadual na tarde de ontem. Funcionários informaram que o delegado Newton Modesto Dávila, o único que poderia se manifestar sobre a prisão dos fiscais, não estava trabalhando devido a problemas de saúde. A reportagem também procurou o advogado dos acusados, Edgar Ehara, porém ele não retornou aos contatos até o fechamento desta edição.

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