Dimitri do Valle
De Curitiba
Os advogados dos pais biológicos do casal de gêmeos adotados ilegalmente pelo deputado estadual Edson Praczyk (PFL) ingressaram ontem à tarde com pedido de apreensão e guarda das crianças no Fórum de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. ‘‘A gente está preparado para conseguir as crianças de novo’’, disse o operário Natálio Firszt, 29 anos. Segundo ele, o parlamentar negociou a adoção em troca de material de construção. Praczyk nega.
De acordo com o advogado Eurolino dos Reis, o processo de entrega das crianças não foi espontânea. ‘‘Os pais foram efetivamente levados a esta situação’’, afirmou Reis, que é assistente do advogado Adel El Tasse, responsável pela defesa dos pais biológicos. Uma das teses é de que os intermediadores do deputado se aproveitaram de problemas particulares que o casal enfrentava para influenciar na decisão.
Reis observou que os pais eram sempre lembrados que Natálio Firszt estava para ser julgado por crime de homicídio. Em caso de condenação, que não aconteceu, as crianças poderiam passar por dificuldades para serem sustentadas. Outro fato que ele relata é a separação do casal logo após a entrega das crianças para o deputado. ‘‘Na sequência da adoção irregular, o casal acabou se separando. Isso comprova que a adoção não foi espontânea’’, declarou.
Para o advogado Eurolino dos Reis, ‘‘só o fato do nobre deputado esconder o registro de nascimento original e ter providenciado um novo registro é outra prova de que houve crime’’ durante a adoção. Natálio e a dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, estiveram ontem no Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride). Eles foram chamados para tentar ajudar a polícia a prestar novas informações que pudessem identificar um casal que intermediou a adoção. Segundo o delegado-titular do Sicride, Harry Carlos Herbert, não está descartada a possibilidade de se confeccionar novos retratos falados.

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